Já fecharam 100 casas de câmbio em Angola nos últimos 9 anos e apenas 21 sobreviveram em 2025
Há pouco mais de uma década, era difícil percorrer as principais ruas de Luanda sem encontrar uma casa de câmbio. Hoje, muitas estão encerradas, outras sobrevivem com pouca actividade, já que as vendas afundaram 90%. Sector perdeu espaço para a banca comercial, para os meios digitais e, em alguns casos, para o mercado informal. O futuro depende delas mesmas: adaptar-se ou morrer.
As casas de câmbio já foram grandes centros de movimentação de divisas e chegaram a rivalizar com o mercado informal, sobretudo nas operações para o exterior do País. Mas desde o início da crise económica, em 2014, agravada posteriormente pela reforma cambial, pelo reforço da regulação e, mais tarde, pela pandemia da Covid-19, o número de casas de câmbio em funcionamento tem vindo a diminuir de forma acentuada.
Assim, o número de casas de câmbio encolheu 83% nos últimos nove anos, ao passar de 121 operadores registados em 2017 para apenas 21 no final de 2025, o que significa que 100 casas de câmbio encerraram actividade neste período, segundo cálculos do Expansão com base em dados do Banco Nacional de Angola (BNA). A quebra resulta, sobretudo, da redução do volume de divisas adquiridas aos bancos comerciais, mas também da incapacidade de muitos operadores resistirem à crise económica e às novas regras de funcionamento do mercado cambial.
A morte das casas de câmbio foi acontecendo aos poucos. Ao longo da última década, um conjunto de factores económicos e regulamentares foi reduzindo progressivamente o sector, até ao ponto em que apenas os operadores mais estruturados conseguiram sobreviver. O caminho sem retorno começou a desenhar-se em 2014, na sequência da queda do preço do petróleo, que reduziu significativamente a entrada de divisas no País. Como Angola continua a ser uma economia fortemente dependente das exportações petrolíferas, a menor disponibilidade de moeda estrangeira afectou directamente a actividade das casas de câmbio.
Mas foi a reforma cambial promovida pelo BNA que alterou profundamente o funcionamento do mercado. O reforço das exigências regulatórias em matéria de prevenção do branqueamento de capitais, identificação de clientes, requisitos de capital e obrigações de reporte aumentou significativamente os custos de operação. Ao mesmo tempo, muitas operações cambiais passaram a ser canalizadas pelos bancos comerciais, reduzindo o espaço de actuação das casas de câmbio.
Para se ter uma ideia da dimensão da mudança, antes da reforma cambial iniciada em 2018 era comum encontrar casas de câmbio praticamente em cada esquina da cidade de Luanda, à semelhança do que acontecia com as kinguilas. Hoje, o cenário é bastante diferente: muitas lojas permanecem sem clientes e o número de operadores activos continua a diminuir. Na prática, os bancos passaram a comercializar divisas às casas de câmbio e aos prestadores de serviços de pagamento, através do Instrutivo n.º 15/18, de 19 de Novembro, com uma margem máxima de lucro (spread) de 2% sobre a taxa oficial do BNA. Ou seja, desde Novembro de 2018 as casas de câmbio deixaram de poder comprar moeda estrangeira directamente ao banco central, passando a depender da banca comercial.
Além disso, as casas de câmbio ficaram fora da plataforma Bloomberg utilizada nas operações cambiais, onde participam apenas o Tesouro Nacional, o BNA, bancos comerciais, petrolíferas, diamantíferas e seguradoras. Até hoje, o sector reivindica a integração nesta plataforma, defendendo que a exclusão limita ainda mais... Leia o artigo integral na edição 883 do Expansão, sexta-feira, dia 03 de Julho de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui











