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Corrida à energia nuclear como resposta à "pior crise energética"

AGÊNCIA INTERNACIONAL DE ENERGIA PREPARA-SE PARA LIBERTAR PETRÓLEO NA MAIOR OPERAÇÃO DE SEMPRE

África do Sul juntou-se a 38 países que assinaram a Declaração para Triplicar a Energia Nuclear até 2050, lote que inclui 7 países africanos, além do Brasil, China e Itália. Ambição do governo sul-africano é construir 5.200 megawatts adicionais de capacidade nuclear, além dos 1.800 megawatts que já produz, segundo o ministro.

A guerra no Médio Oriente, que segundo o director da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, gerou a maior crise energética em décadas, fazendo disparar o preço dos combustíveis, desencadeou uma corrida a fontes alternativas aos combustíveis fósseis, como as energias renováveis e a energia nuclear. Vários países, incluindo africanos, anunciaram planos para reactivar ou construir centrais nucleares.

É o caso de Taiwan, um dos territórios mais afectados pela interrupção do Estreito de Ormuz, mas também de África do Sul, que se juntou a 38 países que já assinaram a Declaração para Triplicar a Energia Nu clear até 2050, lote que inclui sete países africanos, além do Brasil, China e Itália.

"Se o mundo leva a sério a meta de triplicar a capacidade nuclear até 2050, África precisa ser fundamental nessa ambição", afirmou o ministro da Electricidade e Energia sul-africano, Kgosientsho Ramokgopa, no início de Março, durante o Africa Energy Indaba, sublinhando que a energia nuclear é uma "necessidade estrutural" para a matriz energética do país.

Actualmente, mais de 80% do fornecimento de electricidade da África do Sul provém do carvão. As energias renováveis, como eólica, solar e hidroeléctrica, contribuem com cerca de 10%, enquanto a energia nu clear, principalmente da central de Koeberg, responde por cerca de 4%.

A ambição do governo sul-africano é construir 5.200 megawatts adicionais de capacidade nuclear, além dos 1.800 megawatts que já produz, segundo Ramokgopa. Mas a ambição esbarra na resistência de organizações da sociedade civil, que accionaram acções no Tribunal Supremo contra a construção de uma central nuclear em Duynefontein, na província do Cabo Ocidental, e enfrenta dificuldades de financiamento, uma vez que "exigirá investimentos maciços", segundo afirmou à Mongabay Chris Yelland, especialista em energia da EE Business Intelligence, Etiópia e Egipto são outros dois países que apostam na energia nu clear, embora ainda não tenham assinado a Declaração para Triplicar a Energia Nuclear, que conta com sete países africanos: África do Sul, Gana, Quénia, Marrocos, Nigéria, Ruanda e o Senegal.

O Egipto constrói a sua primeira central nuclear em El Dabaa, composta por quatro grandes reactores russos, que fornecerá 10% da electricidade do país quando ficar concluída, segundo a Associação Nuclear Mundial. E a Etiópia planeia ter a sua primeira central nuclear a gerar energia em menos de uma década, após assinar um acordo com a Rússia.

Crimes de guerra Também

Taiwan se voltou para a energia nuclear, após o encerramento do Estreito de Ormuz, por onde passa um terço do gás natural que importa do Qatar e 70% do petróleo bruto que compra ao Médio Oriente, sobretudo à Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.

Esta terça-feira, o líder taiwanês, William Lai, disse que a empresa estatal Taipower está a traba lhar para obter as autorizações necessárias para reactivar as centrais de Kuosheng, no norte do país, e de Maanshan, no sul, 11 meses depois do encerramento do último reactor da central de Maanshan, que marcou o fim da era nuclear em Taiwan.

Segundo o presidente da Agência Internacional da Energia, "o mundo poderá enfrentar a pior crise energética das últimas décadas em consequência da guerra no Médio Oriente, já que pelo menos 40 infraestruturas energéticas fo ram "gravemente ou muito gra vemente" danificadas.

"Até ao momento, perdemos 11 milhões de barris por dia, mais do que as duas grandes crises petrolíferas juntas" da década de 1970, precisou Fatih Birol, notando que esta crise equivale "às duas crises petrolíferas e a um colapso do mercado do gás reu nidos".

Esta quarta-feira, em resposta a um pedido do Japão, Birol anunciou que a AIE está pronta para libertar mais reservas de petróleo além dos 400 milhões de barris de petróleo anunciados no início do mês, naquela que é a maior operação de sempre da agência...

Leia o artigo integral na edição 869 do Expansão, sexta-feira, dia 27 de Março de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)

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