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Opinião

Educação e Saúde

Editorial

Nesta lógica, o importante é a intenção e não realização, onde as cerimónias de lançamento são infinitamente maiores que as inaugurações. Onde a cloud cor de rosa se sobrepõe ao que verdadeiramente acontece, uma estranha hipnose que não resolve os problemas dos cidadãos, mas que até parece que somos todos felizes.

Quando foi apresentado o OGE 2025, as televisões e os órgãos de comunicação social público encheram-se de discursos emotivos de que o sector social, em especial a Educação e Saúde, eram os sectores que iam receber mais dinheiro porque eram as prioridades do País. Horas de elogio a um governo com visão e preocupação pelos mais desfavorecidos e com grande empenho no combate à pobreza. Era um processo de intenções, claro, um sonho.

Saiu agora o relatório de execução do OGE, a realidade, o que foi feito nestes 12 meses, naturalmente sem discursos emocionados ou espaços de debate nos media, porque nesta lógica alimentada desde os tempos da paz, o importante é a intenção e não realização, onde as cerimónias de lançamento são infinitamente maiores que as inaugurações. Onde a cloud cor de rosa se sobrepõe ao que verdadeiramente acontece, uma estranha hipnose que não resolve os problemas dos cidadãos, mas que até parece que somos todos felizes.

Mas vamos aos números para que se entenda este processo. Estavam destinados 2,26 biliões Kz para a Educação, o maior desafio de Angola, dizem os governantes, mas só se executaram, só se gastaram, 1,31 biliões Kz. Para a Saúde estavam destinados 1,98 biliões Kz, mas só se executaram 1,53 biliões Kz. Para estes dois sectores a diferença entre o projecto e o executado é de 1,4 biliões Kz.

Dinheiro este que foi transferido para a Defesa e Segurança, uma vez que estava previsto que estes dois itens gastassem 2,69 biliões Kz, mas, na verdade, custaram aos cofres do Estado, 4,07 biliões de Kz, mais 1,37 biliões Kz. E isto acontece sistematicamente, ano após ano. Apenas uma vez nos últimos 20 anos foi diferente. Na apresentação dos OGEs o sector social é privilegiado, mas, na prática, a maior fatia da nossa riqueza vai para a Defesa e Segurança. Porquê, perguntam alguns dos cidadãos?

Pois, porque foi assim que construímos esse País, dirão alguns. Claro que existem necessidades de defesa de soberania num momento de instabilidade internacional, mas também porque a estratégia passa por alimentar uma elite que manda nas coisas importantes, o preço a pagar para que estejam todos calmos, dirão alguns, mas fundamentalmente porque estes se habituaram a ter um nível de vida de que não vão abdicar certa mente. Até porque são os donos da bola e fazem questão de nos lembrar disso quando existem vozes de contestação mais altas.

O círculo da pobreza e do fraco desenvolvimento não se quebra enquanto não mudarmos as nossas prioridades. Se todos falássemos destas coisas de forma aberta, talvez, passo a passo, houvesse maior solidariedade e vontade de quem pode fazê-lo, de inverter o quadro. Até lá os abastados vão continuar a estudar fora e a ir ao médico ao estrangeiro. Os outros, vocês, ficam com a paz, que é o bem maior, dizem as elites. Pois caríssimos, deixem-me lembrar-vos que sem níveis mínimos de educação e saúde para todos, nunca haverá paz. Mesmo!

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