Capital Humano
A maior fatia do nosso dinheiro tem de ser posta na Educação, algo que sabemos há anos, mas que nunca foi feito, nem de perto nem de longe. Transformar este potencial de ter 27,9 milhões de angolanos abaixo dos 35 anos, 76% da população, em riqueza e desenvolvimento é o maior desafio de todos. Todos concordam, mas parece que nem todos se empenham o suficiente para que isto aconteça. Será uma estratégia superior ou apenas egoísmo?
A questão da valorização do capital humano angolano é o maior desafio do País. Por mais que se queira tratar este desígnio como um objectivo a médio prazo, é um problema de hoje e deve ser "agarrado" agora. Os anos passam e o ensino de base não melhora, a valorização dos professores é adiada por justifi cações financeiras que não se utilizam quando falamos de De Defesa e Segurança, o ensino profissional continua na sua generalidade completamente desfasado da realidade das empresas, e o ensino superior desenvolve-se com a larga maioria das universidades a não serem reconhecidas no mercado de trabalho.
A isto juntam-se depois factores conjunturais que têm de ser rapidamente alterados - o negócio de importação de trabalhadores técnicos expatriados por parte das institui ções públicas e privadas continua a penalizar as empresas mas a arrastar benefícios suplementares aos gestores que os contratam, e os filhos das elites, das classes altas, de quem decide, estuda fora pelo que o problema na verdade não se coloca a quem pode mudar esta realidade. E como se diz, longe da vista, longe do coração, e a situação arrasta-se apesar de todas as palavras bonitas e patrióticas que enchem os nossos noticiários.
Neste particular, é importante acrescentar que há excelentes profissionais formados exclusivamente no País, infelizmente uma minoria, mas normalmente acabam por ser discriminados na contratação empresarial, uma vez que a credibilidade do sistema de ensino angolano, mesmo dentro das nossas fronteiras, é muito baixo. Temos de conseguir ter um Estado que garanta que todos os cidadãos se podem licenciar no nosso País com qualidade e com reconhecimento no mercado de trabalho.
Este desafio não é apenas do Governo e das instituições públicas, é também das empresas privadas, que se tiverem quadros de pessoal qualificados têm maior rentabilidade e, por acréscimo, maiores lucros. Neste particular, existem condições mínimas que não podem ser flexibilizadas só porque temos de mostrar números globais nos rankings de escolaridade. Por exemplo, um advogado não pode sair duma universidade instalada em Angola sem saber escrever português.
A maior fatia do nosso dinheiro tem de ser posta na Educação, algo que sabemos há anos, mas que nunca foi feito, nem de perto nem de longe. Transformar este potencial de ter 27,9 milhões de angolanos abaixo dos 35 anos, 76% da população, em riqueza e desenvolvimento é o maior desafio de todos. Todos concordam, mas parece que nem todos se empenham o suficiente para que isto aconteça. Será uma estratégia superior ou apenas egoísmo?














