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Angola

Administração da Maianga "ataca" viaturas abandonadas na via pública

EM LUANDA

A poucas semanas da visita do Papa a Angola, a Administração Municipal da Maianga intensifica a remoção de viaturas abandonadas e estacionadas de forma irregular, numa operação que alia cumprimento da lei a uma estratégia de requalificação urbana. A medida divide os moradores entre o alívio imediato e as críticas aos prazos impostos.

A Administração Municipal da Maianga está a remover viaturas estacionadas de forma irregular ou com sinais de degradação e abandono, em diferentes zonas do município, como as Avenidas Deolinda Rodrigues e Revolução de Outubro, bem como nos bairros do Cassenda, Sagrada Esperança, Maianga, Alvalade e Rua Augusto Tadeu Bastos, numa acção que conjuga objectivos de ordenamento urbano com uma estratégia mais ampla de requalificação da imagem da cidade, numa altura em que Luanda se prepara para receber a visita do Papa.

De acordo com o director municipal de fiscalização, Paulo Diogo, a intervenção tem como objectivo garantir a ordem pública, reforçar a segurança, melhorar a fluidez do trânsito e assegurar o cumpri mento da Lei n.º 1/07, das actividades comerciais, que proíbe a ocupação indevida de espaços públicos sem licenciamento, bem como da Lei n.º 3/22, do Ordenamento do Território e Urbanismo.

Mas, para além do enquadramento legal, estas acções surgem num momento em que as autoridades procuram acelerar operações de "limpeza urbana" nas zonas centrais da capital, numa lógica de curto prazo frequentemente associada à realização de grandes eventos. A visita do Papa a Luanda funciona, neste contexto, como catalisador político e administrativo para intervenções que, embora necessárias, tendem a ser

desencadeadas apenas sob pressão são de agendas externas, expondo fragilidades estruturais na gestão contínua do espaço público. O fenómeno das viaturas abandonadas não se restringe à Maianga, sendo transversal a vários municípios de Luanda, onde carros avariados, sinistrados ou simplesmente deixados ao abandono se tornaram parte da paisagem urbana.

A sua persistência reflecte não apenas limitações económicas das famílias, mas também falhas institucionais na criação de soluções para abate, reciclagem ou regularização de veículos fora de circulação.

Do ponto de vista económico, a ausência de uma cadeia organizada de recolha e valorização de sucata automóvel representa uma oportunidade perdida. Em muitos países, este segmento constitui uma indústria relevante, geradora de emprego e receita fiscal, enquanto em Angola permanece informal e subaproveitado.

Os impactos ambientais são igualmente evidentes. Óleos, combustíveis e outros fluidos libertados por veículos abandonados contaminam o solo e os sistemas de drenagem, enquanto a acumulação de resíduos sólidos transforma estas viaturas em focos de insalubridade.

Acresce ainda o efeito directo na mobilidade urbana, numa cidade já marcada por elevados níveis de congestionamento, onde cada espaço ocupado indevidamente representa um custo adicional em tempo e produtividade.

De acordo com o sociólogo Alberto Nguluvu, o abandono de viaturas na via pública em Luanda afecta directamente o quotidiano dos moradores, uma vez que estes veículos ocupam espaços que dificultam a circulação e podem transformar-se em pontos de lixo e degradação ambiental. "A ausência de políticas eficazes de recolha e reciclagem evidencia limitações institucionais. O problema resulta tanto da fragilidade económica individual quanto da insuficiência de resposta pública", afirmou.

O especialista defende que, para além das acções pontuais de remoção, é necessário estruturar políticas públicas permanentes, incluindo incentivos ao abate de veículos, criação de parques de sucata regulamentados e mecanismos de responsabilização dos proprietários...

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