Agricultura pode trazer BNDES de volta a Angola
Carlos Fávaro a Luanda, ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, no dia 20, terça-feira, serviu para apresentar ao ministro de Estado e da Coordenação Económica, José Massano, uma proposta de investimento na produção alimentar e transferência de tecnologia, com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico Social (BNDES) e do Banco do Brasil.
O Governo angolano ainda está a avaliar a proposta e uma missão técnica nacional vai deslocar-se ao Brasil, no próximo mês de Março. O BNDES tinha cortado os financiamentos a Angola na sequência da operação "Lavajato", um escândalo de corrupção no Brasil com sérias ligações a empresas brasileiras que actuam no País.
Com a eleição de Jair Bolsonaro, em 2019, que baseou a sua campanha nas críticas à corrupção no Brasil, com especial atenção aos financiamentos concedidos pelo BNDES a países como Angola, a relação política esfriou ao ponto de não terem sido concedidos novos financiamentos ou linhas de crédito.
Com a subida de Lula da Silva à presidência, a (re)aproximação entre Angola e Brasil tornou-se evidente, tendo já sido realizadas visitas oficiais, com promessas de apoio à economia angolana, sobretudo no agronegócio e outros sectores produtivos. "Fizemos questão de trazer formalmente a proposta brasileira, gerada num grupo de trabalho com produtores, empresários e o governo brasileiro, para investimentos em Angola, transferência de tecnologia, cooperação, para que brasileiros e angolanos produzam mais nos solos com grande potencial já identificados", referiu.
"A gente quer agora ouvir como o Governo angolano pode participar também, para fechar a estruturação e os investimentos começarem a acontecer", disse Carlos Fávaro, enfatizando a "determinação do Presidente Lula [da Silva]". "O limite de investimento depende da procura: quanto mais os produtores brasileiros e angolanos apostarem, o governo brasileiro, através do BNDES e do Branco do Brasil, está disposto a fazer os investimentos necessários", acrescentou o ministro da Agricultura e Pecuária.
O governante brasileiro destacou ainda que Angola e o Brasil têm semelhanças de clima, de solo e de cultura. "Podemos fazer de Angola um grande "player " mundial", afirmou, observando que quatro grandes grupos brasileiros identificaram terras disponíveis e oportunidades concretas na produção de milho, soja, algodão, carne bovina e suína.
"Viemos aqui manifestar ao Governo angolano a vontade e o desejo de fazer investimentos em Angola e de ter angolanos a participar também nessa produção", assegurou Carlos Fávaro. A proposta inclui a construção de infraestruturas, como armazéns e sistemas de irrigação, previstos no programa de financiamento do BNDES. "Angola já tem vindo a investir em ferrovias, estradas, mas há necessidade de investimentos em armazenagem de grãos e irrigação, principalmente, além de equipamentos e máquinas.
O Brasil tem a tecnologia desenvolvida e está disposto a financiar para que estas máquinas e equipamentos venham se instalar e funcionar aqui em Angola", disse. Segundo o ministro brasileiro, cerca de 25 a 30 grupos empresariais brasileiros estão unidos e a formatar um modelo de investimento conjunto em várias regiões do País.











