Incertezas afectam mercados
Petróleo desvalorizou devido à redução da tensão entre os EUA e Irão e preocupações com excesso de oferta. Regresso das tensões comerciais afecta o mercado accionista e leva o Ouro a valorizar mais de 5%.
Os preços do petróleo acumulavam uma queda semanal perto de 1 %, até quarta-feira, com o Brent em Londres a rondar 64,94 dólares e o WTI em Nova Iorque em torno de 60,41 dólares. Esta evolução negativa reflectia a moderação das tensões entre os Estados Unidos e o Irão, que reduziu a percepção do risco de interrupções na produção iraniana e às preocupações com excesso de oferta no mercado global.
Além disso, as perspectivas de maior oferta de petróleo foram reforçadas, recentemente, pela previsão da Energy Information Administration, que estima um excedente de 3,8 milhões de barris por dia em 2026. Entretanto, a queda dos preços foi atenuada pela paralisação temporária de dois grandes campos petrolíferos no Cazaquistão.
No mercado accionista, as bolsas recuaram, pressionadas pelo reacender das tensões comerciais devido à pretensão do governo norte-americano em aplicar tarifas de 10% sobre importações europeias, na sequência do seu plano para anexar a Gronelândia, actualmente controlado pela Dinamarca.
Em particular, os EUA informaram que consideram impor uma tarifa de 200% à importação de champanhe francês. Na Europa, o índice referência da região, Euro Stoxx 600, perdia 2,58% para cerca de 598,55 pontos, ao passo que nos EUA, o índice de referência S&P 500 perdia 2,06% para 6 796,86 pontos.
Esta semana, destaca-se também a instabilidade dos mercados oriunda do mercado japonês, após os juros da dívida de longo prazo terem ultrapassado os 4%, pela primeira vez em mais de 30 anos, devido ao receio de que a primeira ministra obtenha maioria parlamentar e consiga avançar com o plano de estímulos económicos, afectando o saldo orçamental do País.
O aumento da incerteza global, provocado pelo retorno das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a região europeia, impulsionou a valorização do Ouro em 5,97%, para 4.860,26 dólares por onça, em relação à semana passada.
Paralelamente, observou-se um afastamento dos investidores de activos denominados em dólares, o que resultou na desvalorização do Índice Bloomberg do Dólar em 0,68%, face às principais moedas fortes e consequentemente, o par Euro/Dólar valorizou 0,78% face à semana anterior, para 1,17 dólares.
Por fim, o FMI actualizou na última semana as suas perspectivas de crescimento global, projectado em 3,3% para 2026 e 3,2% para 2027, ligeira revisão para cima em relação à edição de Outubro de 2025.











