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Angola

Angola ignora boicote e é patrocinador "platina" em Cimeira em Londres

BOICOTE FOI INICIADO POR MOÇAMBIQUE POR EXCLUSÃO DE TALENTOS AFRICANOS

Angola não aderiu ao boicote da Câmara Africana de Energia e fez-se representar ao mais alto nível na Cimeira Africana de Energias, que decorreu em Londres, num contexto em que África tem de acelerar a sua capacidade de refinação para se assumir como alternativa aos países do Golfo. Só para assegurar o mercado interno, África precisa de mais seis refinarias Dangote.

As contínuas perturbações comer ciais no Estreito de Ormuz provocadas pela guerra no Médio Oriente, que bloquearam a circulação de até 11 milhões de barris por dia (bpd) do abastecimento mundial de petróleo e 20% do comércio de gás natural liquefeito (LNG), colocaram África no radar como alternativa ao petróleo e gás do Golfo. Mas se África quiser aproveitar a oportunidade terá de acelerar a sua capacidade e "dar gás" às refinarias que estão a ser construídas, nomeadamente, em Cabinda e no Lobito, defende a Câmara de Energia Africana, na semana em que de correu em Londres, Reino Unido, a Cimeira Africana de Energias.

O evento, organizado pela Frontier Energy Network, jun tou a nata do sector do oil & gas global em Londres, na sua 9ª edição. E pela primeira vez enfrentou um boicote de governos, instituições africanas e operadores, por preocupações relacionadas com o conteúdo local e com a exclusão de profissionais africanos da organização do encontro. Angola não aderiu ao boicote, iniciado por Moçambique e "abraçado" pela Câmara de Energia Africana (AEC, na sigla em inglês), e fez-se representar ao mais alto nível na cimeira de Londres, que decorreu de 12 a 14 de Maio, com três dos seus delegados a constaram na lista de oradores do evento, que se apresenta como a "principal conferência global de exploração e produção de gás de África".

Além do ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, constaram no painel de oradores, Alcides Andrade, do conselho executivo da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) e Osvaldo Inácio, do conselho executivo da Sonangol. Mais.

A ANGP foi um dos três patrocinadores governamentais com o estatuto "platina", numa lista que inclui também a Comissão Reguladora de Petróleo Upstream da Nigéria (NUPRC) e a Agência Nacional para a Valorização de Recursos em Hidrocarbonetos (ALNAFT) da Argélia. Patrocinador de alto nível Um patrocinador platina é o parceiro de nível mais alto e de maior investimento financeiro do evento. Geralmente são grandes multinacionais de energia, empresas nacionais de petróleo ou entidades governamentais. Este ano os reguladores do sector do petróleo e gás de Angola, Argélia e Nigéria integraram a lista.

O que equivale a dizer que estão entre os patrocinadores que mais pagam para que o certame seja realizado, mas também os que têm maior acesso a investidores e oportunidades de contacto com os grandes players do sector. Com esta representação, An gola ignorou o apelo e enfraqueceu o boicote lançado, em Março, pela Câmara de Energia Afri cana, após Moçambique acusar a entidade organizadora, a Frontier Energy Network, de "discri minação" por se recusar a pôr fim à política de não contratação de profissionais africanos.

"A Cimeira Africana de Ener gias obtém a maior parte das suas receitas de África, mas o seu pa drão de discriminação equivale a um bloqueio intencional aos pro fissionais negros", justificou a Câ mara de Energia Africana, en quanto o presidente da Câmara de Energia de Moçambique, Flo rival Mucave, afirmou que "em 2026, este não é o comportamen to que se espera de quem quer que seja que utilize o nome de África".

África no radar mas com "sinal fraco"

A guerra lançada pelos EUA e por Israel contra o Irão criou um bloqueio ao petróleo e gás fornecido pelos países do Golfo, que está a gerar uma crise petrolífera sem precedentes. A saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP+ a 1 de Maio e as contínuas perturbações comerciais no Estreito de Ormuz, intensificaram um choque energético global que está a remodelar os fluxos comerciais. E é aqui que África surge no radar. O continente, poderá tornar--se "um ponto focal estratégico para a expansão a jusante", mas só conseguirá aproveitar o momento e a oportunidade se conseguir aumentar a sua capacidade de refinação, alerta a Câmara de Energia Africana. No curto prazo, enfrenta "uma..

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