BNA continua a "safar" ex-BESA apesar dos kilapis por pagar
O Banco Económico continua a ser o principal devedor do banco central, que apesar dos kilapis continua a manter vivo o banco que tem dificuldades em obter liquidez no interbancário. Ex-BESA deve 256,96 mil milhões Kz ao BNA desde 2016, a que agora se juntam mais 87,7 mil milhões.
O Banco Económico (BE) continua a depender do Banco Nacional de Angola (BNA) para obter liquidez, e já deve 87,7 mil milhões Kz em operações de cedência de liquidez overnight, que deveriam ser pagas no dia a seguir à cedência, mas que "teimam" em manter-se em incumprimento no balanço do banco central, apurou o Expansão junto do relatório e contas de 2025 do BNA, publicado esta semana.
A informação consta na página 137 do R&C 2025, relativo a operações de cedência de liquidez overnight, que o próprio banco central diz serem operações que visam ceder liquidez por prazo de um dia às instituições financeiras bancárias, e são concedidas a exclusivo critério do BNA, mediante solicitação formal da instituição financeira, nos termos regulamentares, sendo realizadas com o compromisso de recompra dos activos dados em garantia.
No final de 2025, o BNA, no seu balanço relativo a este tipo de operações inscreveu que o valor cedido ao BE era de quase 82,0 mil milhões Kz, com o valor líquido de balanço a ser de 87,7 mil milhões Kz, tendo o supervisor bancário inscrito imparidades sobre esse crédito no valor de 22,0 mil mi lhões Kz. Ou seja, o banco central dá como perdidos cerca de 25% do valor dos empréstimos concedidos ao ex-BESA no âmbito de operações de cedência de liquidez.
Apesar dos incumprimentos, o BNA continua a "meter" dinheiro no banco que renasceu das cinzas do BESA. Nas contas de 2025, verifica-se uma redução substancial face aos 53,5 mil milhões Kz de imparidades sobre um total de 77,7 mil milhões Kz que valiam este tipo de créditos no final de 2024 e que estavam inscritos com um valor líquido de balanço avaliado em 34,2 mil milhões Kz.
Há uma razão para explicar essa reversão no valor das imparidades sobre estas operações de cedência de liquidez por um prazo de um dia, que segundo o BNA são "suporta das por garantias elegíveis, nomeadamente títulos da dívida pública", fundamentada nas normas internacionais de contabilidade. "Em conformidade com a IFRS 9 - Instrumentos Financeiros, procedeu-se à actualização da mensuração da perda por imparidade, considerando o valor recuperável associado às garantias recebidas. A reavaliação dos colaterais resultou numa re versão parcial da imparidade anteriormente reconhecida".
Já em 2023, o valor que o BNA inscreveu como cedência de liquidez overnight ao Banco Económico equivalia a 15,5 mil milhões Kz, tendo registado uma imparidade acumulada de quase 10,2 mil milhões. "É provável que o Banco Económico tenha dificuldades em ir ao mercado interbancário e precisa de recorrer exclusivamente ao BNA.
O banco está em falência técnica há muito tempo e o BNA quer mantê-lo vivo porque tem muitos depósitos. O BNA está a mantê-lo vivo e também é por isso que não acciona as garantias que tem sobre esses empréstimos", sublinha o economista chefe de uma auditoria internacional, em declarações ao Expansão e solicitando anonimato "por se tratar de um assunto...











