Angola continua sem ser capaz de transformar a agricultura em riqueza
O País aumenta a produção, expande áreas cultivadas e mobiliza milhões de camponeses, mas continua incapaz de converter essa dimensão produtiva em eficiência económica, agro-indústria e redução estrutural das importações alimentares. O sector está longe de cumprir o papel estratégico prometido para a diversificação da economia.
Com mais de 2,6 milhões de explorações agrícolas, 5,6 milhões de hectares cultivados e uma produção superior a 21 milhões de toneladas, o novo Inquérito Contínuo Agro-Pecuário e Pescas (ICAPP) 2024/2025 confirma que Angola continua a ser um país agrícola em dimensão, mas não em eficiência económica. Quase 25 anos depois da Paz e após anos de programas públicos de diversificação económica, o sector continua excessivamente dependente da agricultura familiar de subsistência, da força manual e de culturas de baixo valor acrescentado, revelando enormes dificuldades em transformar produção agrícola em riqueza, indústria e segurança alimentar sustentável.
Os dados do INE mostram que Angola possui actualmente 2.628.507 explorações agrícolas, mas apenas 6.510 são empresariais. Isto significa que 99,75% da estrutura produtiva continua dependente da agricultura familiar. No entanto, as explorações empresariais controlam cerca de 2,01 milhões de hectares, 26,4%, enquanto as familiares possuem 5,59 milhões de hectares, 73,6%. Embora não existam números oficiais, uma estimativa realista aponta para que a agricultura nacional valha 65% a 80% do volu me agrícola, e que a agricultura empresarial/comercial represente entre 20% e 35%. Mais reveladora ainda é a dimensão média das explorações. Enquanto as familiares possuem apenas 2,14 hectares em média, as empresariais atingem 314 hectares. Ou seja, milhões de famílias continuam a produzir em pequenas parcelas incapazes de gerar economias de escala, produtividade elevada ou capacidade consistente de abastecimento industrial.
Na prática, Angola mantém um modelo agrícola fragmentado, pouco competitivo e excessivamente vulnerável aos choques climáticos. Produz-se muito em quantidade bruta, mas pouco em eficiência económica. Isto ajuda a explicar porque o País continua simultaneamente a produzir milhões de toneladas agrícolas e a importar alimentos em larga escala, ao que juntam as perdas de produção que não chegam aos centros de....











