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Angola

Oito em cada 10 trabalhadores sobrevivem na informalidade

140 ANOS DE DIA DO TRABALHADOR

Mais de seis milhões de trabalhadores em Angola não beneficiam dos direitos fundamentais do trabalho. No dia em que se assinalam os 140 anos do Dia do Trabalhador, especialistas defendem que Angola precisa de políticas mais agressivas de formalização do emprego.

O Dia Internacional do Trabalhador, celebrado a 1 de Maio e que nasce em 1886 da luta por direitos e dignidade no trabalho, contrasta fortemente com a actual realidade angolana. No país, oito em cada 10 trabalhadores sobrevivem na informalidade, uma condição que limita o desenvolvimento individual e "em purra" muitas famílias para a pobreza e a vulnerabilidade. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), referentes ao quarto trimestre de 2025, cerca de 78,6% da força de trabalho está inserida em actividades informais, sem contratos, protecção social ou enquadramento legal.

Este número representa milhões de pessoas que dependem de ocupações precárias para garantir a subsistência. Quanto às ocupações principais, os trabalhadores de serviços e vendas lideram com 41,9%, seguidos pelos qualificados na agricultura, silvicultura e pesca (15,9%) e pelos artesãos e trabalhadores de ofícios relacionados (11,8%).

A predominância destas profissões está associada à baixa escolaridade e falta de formação académica, levando muitos cidadãos a ingressar em actividades informais, mesmo sem terem os seus direitos laborais garantidos. O crescimento da informali dade tem sido expressivo nos úl timos anos, impulsionado por factores, como a incapacidade das políticas públicas de absorver a mão-de-obra jovem.

Novas ocupações surgem como alternativa de subsistência

Neste contexto, novas formas de ocupação surgiram, sobretudo ligadas ao comércio digital, serviços de entregas, pequenos negócios de estética, oficinas de mecânica improvisadas, moto--táxis, cobradores de táxi e comércio ambulante. Em todo o país, é visível a luta diária dos jovens pelo sustento.

Muitos trabalham como cobradores de táxi, outros dedicam-se à reparação de sapato e roupas, ao corte e embelezamento de cabelos, enquanto há também quem encontre nas redes sociais uma via para gerar rendimento. Há ainda quem se dedique à reparação de telemóveis, computadores e outros equipamentos electrónicos, além dos que recorrem ao serviço de moto-táxis, tirando partido da inexistência de uma rede eficaz de transportes públicos na capital do país.

Apesar da diversidade de ocupações, todos partilham uma realidade comum, a ausência de enquadramento legal e de protecção social. Sem contratos formais e contribuições para a segurança social, milhões de trabalhadores permanecem fora dos sistemas de pensões e de saúde, perpetuando ciclos de pobreza e vulnerabilidade.

Especialistas defendem formalização do trabalho Especialistas defendem que Angola precisa de políticas mais agressivas de formalização do trabalho, incluindo incentivos fiscais...

Leia o artigo integral na edição 874 do Expansão, sexta-feira, dia 01 de Maio de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui

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