Menos quantidade de combustível no mercado pressiona distribuição
Os impactos da guerra no Irão e dos constrangimentos logísticos devido ao encerramento do estreito de Ormuz, por onde circula cerca de um quinto do petróleo global, constituem uma ameça à estabilidade económica e social. Governo afirma que está a reforçar armazenamento de segurança.
A importação de combustíveis caiu cerca de 23% nos primeiros três meses do ano face ao último trimestre de 2025, segundo um balanço efectuado durante a semana, em Luanda, pelo regulador deste mercado, o Instituto Regulador de Derivados do Petróleo (IRDP).
Entre Janeiro e Março deste ano foram adquiridas 1.022.408 de Toneladas Métricas (TM), enquanto no trimestre anterior tinham sido compradas 1.347.543 de TM, o que indica menor disponibilidade de produtos refinados. A Sonangol, entidade responsável pelas importações de derivados de petróleo, admite que os custos de aquisição no período em análise, avaliados em 817 milhões USD, dispararam desde o final de 2025.
O gasóleo lidera o consumo de refinados no País, como é habitual, com 52,4% do total, seguido da gasolina (32,9%), fuel oil (6,1%), Gasóleo Marítimo (3,8%), Jet A1 (3,4%) e petróleo iluminante (1,4%).
Em comparação com o primeiro trimestre de 2025, os indicadores divulgados pelo IRDP registavam uma queda de 13% face ao mesmo período de 2024, o que significa que a quebra nas vendas acelerou pelo menos 10 pontos percentuais em 2026 face ao período homólogo.
"Normalmente, no primeiro trimestre nem todas as empresas estão a funcionar em pleno, o que significa que o consumo de combustíveis é mais re duzido", explicou Luís Fernandes, director-geral do IRDP. "No segundo trimestre, vamos continuar a acompanhar o impacto que resulta da instabilidade no Médio Oriente que, como todos sabemos, é a origem de uma quantidade considerável de produtos derivados do petróleo. Nós estamos a falar de cerca de um quinto da produção ou do consumo mundial. Isso, naturalmente, vai ter algum impacto", reforçou Luís Fernandes.
Sobre a possibilidade de uma disrupção total no fornecimento de combustíveis em Angola, que teria efeitos drásticos em toda a economia, o director-geral do IRDP disse que não acredita nessa possibilidade: "Não temos sinal nenhum que indicie que venha a faltar combustíveis. Continuamos a monitorar o mercado. Foram também anunciadas algumas medidas do ponto de vista do Executivo como, por exemplo, o aumento das reservas de segurança. Nós temos reservas, mas vamos reforçá-las. É a primeira medida objectiva para mitigar o efeito dos choques".
Durante o encontro de balanço organizado pelo IRDP, com a presença de todos os operadores que actuam no segmento de distribuição de combustíveis, foi possível apurar que a redução na quantidade comercializada tem impacto directo na actividade das empresas, que nos últimos meses têm estado a receber menos produtos refinados. A redução nota-se especialmente na gasolina.
Na perspectiva da Sonangol, a petrolífera nacional já começou a sentir os efeitos da subida da cotação do barril de petróleo. "Senti mos essa realidade e estamos a verificar um nível de preços muito mais alto, porque a Sonangol compra refinados ao preço de mercado. Se no último trimestre comprávamos a tonelada métrica de gasolina à volta de 700 USD, hoje estamos a comprar quase a 1.700 USD", disse Edson Pongolola, director de Planeamento da Sonangol, ao Expansão...











