Alívio geopolítico apoia mercados
Sinais de avanço nas negociações entre EUA e Irão aliviaram o risco geopolítico, impulsionando os mercados accionistas e pressionando o petróleo, com o Brent a cair quase 8%, num contexto de desvalorização do dólar e maior procura por ouro.
A semana passada foi marcada por uma rápida inversão do sentimento dos investidores nos mercados financeiros globais, determinada sobretudo pela evolução das tensões geopolíticas no Médio Oriente. Apesar de, no início de semana, a intensificação do conflito ter penalizado os activos de risco, o anúncio de potenciais progressos nas negociações entre os Estados Unidos da América (EUA) e o Irão alterou de forma significativa o enquadramento, o que sustentou a recuperação dos mercados accionistas e uma correcção expressiva nos preços do petróleo.
Neste contexto, na Europa, o principal índice de referência, o Euro Stoxx 600, valorizava cerca de 1,80% até a última quarta--feira, enquanto nos EUA, a evolução foi mais moderada, com o S&P 500 a subir 0,40%, enquanto o industrial Dow Jones recuava ligeiramente (-0,41%), pressionado pelas declarações do Presidente norte-mericano, que sinalizou eventuais incumprimentos por parte da União Europeia relativamente ao acordo comercial em vigor e indicou a possibilidade de aumento das tarifas para 25% sobre automóveis e camiões provenientes do bloco.
No mercado petrolífero, os receios de disrupção da oferta suscitaram inicialmente os preços, com o Brent a atingir 118,03 USD por barril, após notícias sobre a intensificações de ataques contra alvos norte-americanos, bem como contra infra-estruturas energéticas nos Emirados Árabes Unidos.
Contudo, o aumento das expectativas de possível entendimento diplomático entre os EUA e o Irão, no final dos últimos 07 dias, inverteram a tendência. Em termos semanais, o Brent recuou 7,82% para 102,54 USD/barril, enquanto o WTI caiu 5,37% para 94,53 USD/barril. No mercado cambial, o dólar depreciou de forma generalizada, com o índice Bloomberg do dólar a recuar 0,86%, reflectindo a menor aversão ao risco e expectativas de menor pressão inflacionista.
Em contrapartida, o euro apreciou 0,54%, negociando em torno de 1,18 USD. Neste enquadramento, nos mercados dos metais preciosos, o ouro beneficiou igualmente da fraqueza do dólar e valorizou cerca de 2,32%, atingindo 4.703,55 USD por onça.
Por fim, no mercado de dívida, a descida dos preços do petróleo contribuiu para um alívio das expectativas inflacionistas, o que se traduziu, de forma transversal, numa redução das yields soberanas na Zona Euro de 0,1 pontos percentuais para 2,997%.











