Angola avança este ano para a nona emissão de Eurobonds
Desde que em 2015 Angola começou a recorrer aos mercados lá fora para emissão dívida em moeda estrangeira, já conseguiu obter 11.000 milhões USD em Eurobonds. "Está complicado arranjar dinheiro", admite um analista, mas provavelmente o início do ano será a fase com melhores perspectivas.
O Governo vai avançar com uma nova emissão de dívida soberana em moeda estrangeira nos mercados internacionais, cujo valor deverá rondar os 1.700 milhões USD, de acordo com o Plano Anual de Endividamento (PAE) para 2026. Especialistas defendem que deverá ser feita o quanto antes para aproveitar taxas de juro abaixo dos 10,0%, já que o cenário de incerteza a nível global e a queda dos preços do petróleo deverão pressionar os juros lá mais para a frente.
A concretizar-se, será a nona emissão de Eurobonds feita pelo País, modelo de financiamento que arrancou em 2015, com a emissão de 1.500 milhões USD, denominada Palanca I, entretanto já saldada junto dos investidores internacionais.
De acordo com o Plano Anual de Endividamento, para este ano está prevista a captação de 15.959 milhões USD em financiamentos, em que 7.545 milhões deverão ser captados a nível interno e 8.413 milhões a nível externo. Segundo o Anexo A do PAE 2026, os 1.683 milhões USD a captar através da emissão de Obrigações do Tesouro em moeda estrangeira ("Eurobonds") terão como destino o apoio a tesouraria.
Especialistas consultados pelo Expansão admitem que 2026 será um ano difícil para o Governo, já que as receitas petrolíferas estarão em queda face a anos anteriores, devido à descida dos preços do barril de petróleo, e quanto mais tempo passar mais os riscos sobressaem, pelo que consideram que esta será a melhor altura para avançar com a emissão. Até porque as yields angolanas - indicador que mede as taxas de juro que os investidores admitem cobrar para emprestar dinheiro - estão hoje a rondar os 9,240%, abaixo dos 10,125% que ficaram estabelecidos na emissão do Palanca VIII no ano passado, que envolveu 750 milhões USD com uma maturidade a 10 anos.
"Considerando que Angola, devido à sua dependência do petróleo, é um dos países mais expostos a uma desaceleração da economia mundial, quanto mais cedo fizerem a emissão de Eurobonds melhor", admite um analista de mercado de um dos maiores bancos mundiais ao Expansão.
Para Tiago Dionísio, da consultora Eaglestone, Angola deve aproveitar "o ciclo global relativamente favorável [nesta fase] e o interesse dos investidores em activos de mercados emergentes".
A actual conjuntura internacional "apresenta alguns riscos, nomeadamente geopolíticos que podem mudar rapidamente as condições de mercado" e, por isso, esta poderá ser a melhor altura, admite. Também o economista Heitor Carvalho considera que, a ser, terá de ser agora, aproveitando as taxas de juro que, apesar de serem consideradas altas, poderão crescer mais ao longo do ano. Desde que em 2015 Angola deu início à emissão de Eurobonds, o financiamento por via deste mecanismo já envolveu 11.000 milhões USD, com taxas de juro que vão desde a mais baixa 8,000% (Palanca IV) e os 10,125% da Palanca VIII (ver quadro).
Actualmente, os investidores dos Eurobonds são os maiores credores externos angolanos, tendo ao longo dos últimos anos superado o Banco de Desenvolvimento da China. Isto porque o Governo tem optado por pagar o quanto antes a sua dívida a instituições chinesas, já que a maior parte dessas dívidas está garantida por vendas de petróleo.
Acordo com o JP Morgan
O Governo conseguiu prorrogar por três anos uma linha de crédito de 1.000 milhões USD com o banco norte-americano JP Morgan, tendo garantido garantiu um financiamento adicional de 500 milhões USD confirmou o Expansão junto de fonte do Ministério das Finanças.
Este novo contrato de três anos tem uma taxa de juro a rondar os 8%, abaixo dos pouco mais de 9,0% do contrato inicial (que tinha uma garantia de 1.900 milhões em Eurobonds USD concedida por Angola ao JP Morgan) cuja maturidade ia até Dezembro de 2025.











