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Economia

Angola exporta mais, mas continua a gastar 17 vezes mais para importar

PRODUTOS DO PRODESI NO PRIMEIRO SEMESTRE

Embora as exportações tenham crescido, a balança comercial dos produtos abrangidos pelo PRODESI continua deficitária. Nos primeiros 6 meses, cada dólar exportado correspondeu a 17 USD gastos em importações. Angola continua a importar, e em grandes quantidades, sobretudo bens alimentares.

O desempenho das exportações dos produtos no âmbito do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI), no primeiro semestre de 2026 apresenta um resultado que, à primeira vista, parece positivo, mas que, analisado em profundidade, revela uma realidade mais complexa. Em termos de valor, as exportações aumentaram 71%, passando de 39,5 milhões USD no primeiro semestre de 2025 para 67,8 milhões USD (+28,3 milhões USD) nos primeiros seis meses deste ano, de acordo com cálculos do Expansão com base nos dados da Administração Geral Tributária (AGT).

Entretanto, as exportações só representam 6% dos 1,14 mil milhões de dólares gastos com importações, o que significa que as exportações são 17 vezes inferiores às importações. Ou seja, por cada dólar que Angola consegue gerar com estas exportações, precisa de gastar cerca de 17 dólares para comprar produtos ao exterior.

Assim, mais do que o crescimento percentual das exportações, os dados demonstram que o País continua ainda muito dependente do mercado externo. A diferença entre o que Angola vende e o que compra continua demasiado grande para que se possa falar numa substituição de importações com impacto relevante sobre a balança comercial. A diversificação começa a produzir alguns resultados, mas avança ainda a um ritmo insuficiente perante a dimensão da procura interna.

Os dados da AGT mostram ainda uma particularidade importante: o crescimento das exportações em valor não foi acompanhado por um aumento do volume exportado. Pelo contrário. Nos primeiros seis meses deste ano, Angola exportou 125,4 mil toneladas, menos 63% do que as 338,4 mil toneladas registadas no mesmo período de 2025, uma redução de 212,9 mil toneladas.

E na base está, sobretudo, a queda das exportações de varão de aço que tem sido o produto que mais tem contribuído para exportações do PRODESI. Só para se ter uma ideia, no primeiro semestre as exportações de varão de aço afundaram 94% para 18,7 mil toneladas, o que permitiu um encaixe de apenas 11,6 milhões USD.

Entretanto, outros produtos registaram aumentos expressivos nas exportações. A farinha de milho, por exemplo, passou de 4,2 mil para 27,1 mil toneladas, um crescimento de 542%, enquanto o valor exportado subiu 283%, para 14,9 milhões USD. Também se destacam a farinha de trigo, cujas exportações aumentaram 253% em volume e 488% em valor, os ovos, com crescimento de 753% em quantidade e 3.874% em valor, e o feijão, que passou de apenas 2,2 toneladas para 4.882 toneladas.

O facto é que balança comercial dos produtos abrangidos pelo PRODESI continua deficitária, embora hoje apresente uma ligeira melhoria face, por exemplo, a 2020, quando o fosso era 38 vezes maior a favor das importações. Assim, apesar desta ligeira melhoria na balança comercial do PRODESI, o país continua a importar mais produtos e a gastar mais dinheiro do que no início do programa.

A título de exemplo, em 2020 foram importados 1,8 mil milhões USD s em produtos abrangidos pelo PRODESI, enquanto no ano passado o valor chegou a 2,3 mil milhões USD. Isto acontece também num contexto em que a população do país cresce, em média, 3% ao ano. Apesar de haver, mais produção nacional, esta continua a ser insuficiente para responder à procura.

A realidade é visível nos supermercados, onde muitos produtos nacionais ainda têm uma presença limitada e, em alguns casos, são apenas produtos importados que passam por processos de embalamento ou transformação local. Esta insuficiência da oferta nacional também acaba por exercer pressão sobre os preços, embora a taxa de inflação esteja a cair, em parte, devido ao controlo administrativo da taxa de câmbio.

O PRODESI foi criado em julho de 2018, mas demorou a arrancar. Só a partir de 2020 é que a Administração Geral Tributária (AGT) começou a compilar os dados sobre a importação e exportação de mercadorias enquadradas nos objectivos deste programa, criado para aumentar a produção nacional.

Não é que a diversificação económica não esteja a acontecer, está, mas muito devagarinho e insuficiente para as necessidades que o País tem. No entanto, as importações recuaram 9% para 1,1 milhões de toneladas, menos 110,8 mil toneladas do que no primeiro semestre de 2025.

Em valor, porém, a redução foi praticamente inexistente: o país gastou cerca de 1,1 mil milhões de dólares, praticamente o mesmo montante desembolsado no período homólogo do ano passado, o que significa que a queda do volume importado não se traduziu numa redução significativa da factura cambial, revelando que a dependência externa continua a pesar sobre a economia.

Mais do que isso, Angola continua a aumentar as importações de alguns dos produtos relevantes da cesta alimentar. O frango é...

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