Brent sobe pela sexta sessão consecutiva e volta a aproxima-se dos 90 dólares
Os preços do petróleo mantêm a trajectória ascendente esta quarta-feira, prolongando os ganhos pela sexta sessão consecutiva, num mercado dominado pela incerteza em torno das negociações entre os Estados Unidos e o Irão e pelo impacto que um eventual acordo poderá ter na circulação de energia através do estreito de Ormuz.
Perto das 09 de Luanda, o Brent, referência para as exportações angolanas, valorizava 0,8%, para 89,6 USD por barril, aproximando-se novamente da fasquia dos 90 dólares. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, avançava 0,9%, para 83,92 USD. Desde o início do ano, as duas referências acumulam ganhos de 47,3% e 46,2%, respetivamente.
A subida desta quarta-feira prolonga uma forte recuperação do crude. Só nas cinco sessões anteriores, o Brent tinha valorizado cerca de 12%, refletindo a crescente preocupação dos investidores com a possibilidade de uma interrupção prolongada dos fluxos de petróleo e gás numa das principais artérias energéticas do mundo.
O estreito de Ormuz continua, assim, no centro das atenções. A passagem marítima é estratégica para o abastecimento global de energia, pelo que qualquer sinal de agravamento das tensões na região tende a repercutir-se imediatamente nos preços do petróleo.
A evolução do mercado está particularmente dependente das notícias sobre as negociações entre Washington e Teerão. Os investidores mantêm-se, contudo, céticos quanto à possibilidade de um entendimento capaz de garantir uma normalização rápida dos fluxos de energia.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, voltou a alimentar a incerteza na terça-feira, ao afirmar que os Estados Unidos "controlam totalmente" o estreito de Ormuz e que não confia no Irão. As declarações contrastaram com uma indicação mais otimista do ministro da Defesa do Paquistão, segundo a qual Washington e Teerão estarão próximos de alcançar algum tipo de entendimento.
O contraste entre estas posições mantém o mercado em alerta. Por um lado, a perspetiva de um acordo entre os dois países poderia aliviar os receios sobre o abastecimento e retirar algum prémio de risco aos preços. Por outro, a ausência de garantias sobre a reabertura plena e estável de Ormuz continua a sustentar a pressão compradora sobre o crude.
Com o Brent já perto dos 90 dólares, os investidores acompanham agora de perto qualquer evolução diplomática entre os Estados Unidos e o Irão. A direcção dos preços nas próximas sessões deverá continuar a depender, em grande medida, da possibilidade de uma solução que reduza as restrições ao tráfego marítimo e devolva previsibilidade ao mercado energético.











