Indústria transformadora continua a puxar pela produção nacional
As fábricas de bens de consumo continuam a ganhar ritmo e sustentaram o crescimento da produção industrial em Junho. Porém, o recuo da indústria extractiva demonstra que o sector transformador ainda não tem dimensão suficiente para compensar as oscilações da produção petrolífera.
A indústria angolana voltou a crescer em Junho, mas a evolução dos dados mostra que a recuperação continua a assentar num número reduzido de actividades, enquanto a indústria extractiva, fortemente dependente do petróleo, permanece como o principal travão ao desempenho global do sector.
O Índice de Produção Industrial (IPI) aumentou 1,36% face a Maio e acumulou uma subida de 30,12% desde Dezembro de 2025. Em termos homólogos, o crescimento atingiu 66,69%, um resultado que reflecte sobretudo a forte aceleração da indústria transformadora. Não esquecer que o INE reviu a metodologia do índice, que é actualmente calculado numa base mensal ao invés de trimestral como ocorria até ao ano passado. Passa igualmente a considerar 2029 como o ano base quando a estrutura anterior tinha como premissa o ano de 2010, o que obviamente influencia os números actuais. Estes crescimentos tenderão a ser muito mais suaves nos próximos meses. Contudo, por detrás deste crescimento há uma realidade mais complexa.
A indústria extractiva, que continua a representar cerca de 78% da estrutura industrial do País, recuou 4,8% em Junho, retirando 2,26 pontos percentuais ao crescimento do índice global. Ou seja, o principal sector da economia continua a perder dinamismo precisamente numa altura em que a diversificação começa a produzir resultados visíveis noutros segmentos. Em sentido contrário, a indústria transformadora registou uma expansão mensal de 7,6%, contribuindo sozinha com 3,62 pontos percentuais para a variação do índice, enquanto em termos homólogos disparou 227,97%.
Trata-se do segmento que mais tem beneficiado dos investimentos realizados nos últimos anos, particularmente nas indústrias alimentares e de bebidas, que continuam a liderar a expansão da produção nacional. Os dados mostram, aliás, que as indústrias alimentares atingiram em Junho um índice de produção de 635,44 pontos ( base 2019=100), mais que triplicaram o nível registado há um ano.
O crescimento resulta da entrada em funcionamento de novas unidades produtivas, da substituição gradual de importações e da maior disponibilidade de matérias-primas agrícolas em algumas cadeias de valor. No entanto, também reflecte uma base de comparação relativamente baixa, pelo que as taxas de crescimento homólogas deverão moderar-se nos próximos meses.
Bens de consumo
Outro dado relevante é a evolução por tipo de bens. Os bens de consumo cresceram 8,68% num único mês e quase quadruplicaram face ao mesmo período do ano anterior (+292,5%), enquanto os produtos energéticos recuaram 4,83% e os bens intermédios diminuíram 8,11%. Isto significa que a produção destinada ao consumidor final continua a ganhar peso, mas a indústria ainda evidencia fragilidades na produção de matérias-primas e componentes utilizados por outras fábricas, um dos principais obstáculos ao aprofundamento das cadeias industriais nacionais. Também os restantes indicadores acompanham esta tendência. O volume de negócios da indústria aumentou 0,9% face ao mês anterior, impulsionado pela indústria transformadora, embora continue...











