Crédito fica mais barato com Luibor no nível mais baixo em 30 meses
Queda da taxa interbancária resulta do ciclo de cortes da taxa directora do BNA, iniciado em 2025, num contexto de desaceleração da inflação. Seria necessário recuar até Janeiro de 2024 para encontrar uma taxa mais baixa.
O custo do crédito no País continua a aliviar, acompanhando a queda da Luibor, a principal taxa de referência do mercado interbancário. Em Julho, a taxa Luibor overnight fixou-se nos 12,0%, reflectindo o ciclo de flexibilização da política monetária conduzido pelo Banco Nacional de Angola (BNA), contribuindo para reduzir os encargos dos empréstimos concedidos a famílias e empresas, num contexto de desaceleração da inflação.
A Luibor (acrónimo de Taxa Interbancária de Oferta de Fundos do Mercado de Luanda) corresponde à taxa de juro que os bancos cobram entre si nas operações de cedência de liquidez. Se a taxa directora do BNA serve de referência para a formação das taxas Luibor, estas, por sua vez, constituem a base para a definição das taxas de juro aplicadas ao crédito concedido aos clientes. As taxas Luibor variam consoante o prazo das operações, desde um dia (overnight) até 12 meses.
Na prática, quando um cliente solicita um empréstimo, o banco aplica uma taxa indexada à Luibor, acrescida de um spread definido em função do perfil de risco do mutuário e da política da própria instituição. Assim, a descida da Luibor resulta, sobretudo, da redução das taxas de juro iniciada em 2025, na sequência do alívio da política monetária adoptado pelo banco central, em resposta à trajectória de desaceleração da inflação, que ronda actualmente os 10%. Isto significa que o crédito está barato, o que também se tem vindo a reflectir nas estatísticas dos bancos comerciais, onde o crédito ao consumo, crédito automóvel e crédito às empresas tem vindo a aumentar nos últimos meses.
Ciclo de desaperto da política monetária
Para se ter uma ideia, o banco central protagonizou o mais longo ciclo consecutivo de desaperto da política monetária desde que há registos, com cinco cortes sucessivos da taxa directora, iniciados em Novembro de 2025, conduzindo-a para níveis anteriores à pandemia. A redução da taxa directora acabou por pressionar em baixa a Luibor, a taxa interbancária de referência, diminuindo, por sua vez, o custo do crédito concedido às famílias e às empresas.
A importância deste facto é muito mais que estatístico, pois possibilita a entrada de mais dinheiro na economia e aumento do consumo privado, que é hoje é unanimemente aceite com condições que sustentam o crescimento económico dos países. Um dos exemplos sempre citado é o da Índia. Seria necessário recuar 30 meses, ou seja, até Janeiro de 2024, para encontrar uma média mensal da Luibor overnight inferior à registada actualmente. Naquele mês, a taxa fixou-se nos 6,9%.
No entanto, ao longo de 2024 a tendência inverteu-se, com a Luibor a acelerar de forma acentuada, chegando a ultrapassar a barreira dos 30%, num dos períodos de maior aperto das condições monetárias desde que há registos, à boleia de uma inflação que cresceu também para valores recordes do período pós-pandemia. Esta quarta-feira, a Luibor overnight situava-se em torno dos 12,03%, consolidando a tendência de descida observada nos últimos meses. Ainda assim, o mínimo histórico da taxa continua a ser o registado em Dezembro de 2023, quando caiu para 4,0%, o valor mais baixo desde que há registos.











