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Economia

Dívida pública ultrapassa os 72 mil milhões USD e regressa aos níveis pré-Covid-19

STOCK DA DÍVIDA CRESCEU 16% NO PRIMEIRO SEMESTRE

Regresso de Angola aos mercados internacionais, com novas emissões de Eurobonds, aliado ao forte crescimento da dívida interna, financiada sobretudo pelos bancos comerciais, voltou a acelerar o ritmo do endividamento público. O resultado foi um aumento de 10 mil milhões USD, fazendo o País regressar aos níveis registados antes da pandemia, numa tendência de aumento que se tem verificado desde 2025.

O stock da dívida pública cresceu 16% para 72,1 mil milhões USD no primeiro semestre deste ano quando comparado com os 61,9 mil milhões USD registados no mesmo período de 2025, o que representa um aumento de 10,1 mil milhões USD, de acordo com cálculos do Expansão com base no balanço da execução do Plano Anual de Endividamento (PAE), apresentado esta semana pela Unidade de Gestão da Dívida Pública (UGD). Já quando comparado com o stock da dívida no final de 2025, o aumento foi de 9%. T

rata-se da dívida governamental, ou seja, do montante que o Estado deve a credores nacionais e estrangeiros para financiar o Orçamento Geral do Estado (OGE). Estes números não incluem a dívida das empresas públicas, com destaque para a Sonangol e a TAAG, que, até ao final do primeiro trimestre, acumulavam cerca de 2,5 mil milhões USD em dívida junto dos seus credores. O valor referente ao primeiro semestre ainda não foi divulgado.

A maior fatia da dívida continua a ser externa, que ascende a 50,9 mil milhões USD, equivalente a 71% do total, enquanto a dívida interna representa os restantes 29%. Assim, este aumento deve-se, por um lado, ao crescimento da dívida pública interna, que aumentou 27% para 21,1 mil milhões USD, mais 4,4 mil milhões USD do que no período homólogo. A dívida interna é financiada maioritariamente pelos bancos comerciais, que têm apresentado maior preferência pelo financiamento do Estado em vez da concessão de crédito ao sector privado, num fenómeno, conhecido como crowding out.

Ao mesmo tempo, o stock da dívida externa subiu para 50,9 mil milhões USD, impulsionado, sobretudo, pelo regresso de Angola aos mercados internacionais, através de novas emissões de Eurobonds realizadas no primeiro semestre.

A primeira emissão, no valor de 2,5 mil milhões USD, ocorreu em Março, através da colocação de duas tranches de dívida soberana em moeda estrangeira nos mercados internacionais: uma de 1.500 milhões USD, com maturidade de sete anos e taxa de juro de 9,25%, e outra de 1.000 milhões USD, com prazo de 11 anos e uma taxa de 9,8%.

A segunda operação ocorreu em Maio, quando o Governo decidiu avançar para o resgate antecipado de parte dos Eurobonds com vencimento em 2028 e 2029, numa tentativa de aliviar a pressão financeira dos próximos anos e reorganizar o perfil da dívida pública externa. No entanto, a operação, no montante de 1,5 mil milhões USD, também reflecte o aumento do custo de financiamento de Angola nos mercados internacionais. Na prática, o Estado está a utilizar parte dos recursos obtidos em emissões anteriores para recomprar títulos antigos ainda em circulação nos mercados internacionais.

Trata-se de uma operação comum de gestão de passivos soberanos, cujo objectivo é reduzir a concentração de pagamentos nos próximos anos, alongar os prazos da dívida e, consequentemente, diminuir os riscos de liquidez e a pressão sobre as contas públicas.

Assim, no final do primeiro semestre deste ano, os investidores detentores de Eurobonds eram os maiores credores de Angola, concentrados sobretudo no Reino Unido, país que representa cerca de 22% da dívida pública total.

Dívida regressa a níveis pré- pandemia

Com um stock de 72,1 mil milhões USD, Angola volta a registar níveis de dívida semelhantes aos observados antes da pandemia da Covid-19, ultrapassando novamente a fasquia dos 72 mil milhões USD.

Após o impacto da pandemia, o stock da dívida diminuiu em 2020 e 2021, mas voltou a aumentar em 2022, ano eleitoral em que, tradicionalmente, o Governo tende a elevar a despesa pública. Posteriormente, retomou uma trajectória descendente em 2023, atingindo um mínimo de cerca de 59 mil milhões USD no final de 2024. De lá para cá, a tendência inverteu-se e, no

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