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"80% do nosso trabalho é fruto de pesquisas e 20% de representação em palco"

PANZO DA CUNHA, ELVIRA JOÃO E MARGARETH ZOMBO | COMPANHIA DE ARTES CÉNICAS FELOMA MUSANZALA

Criada entre as rixas de grupos que predominavam no município do Hoje-Ya-Henda, em 2007, a Companhia de Artes Cénicas Filoma Musanzala, que conquistou o título do CIT 2026 com a peça teatral "BECO 7", levou ao palco a realidade dos fenómenos sociais, culturais e económicos que afligem a cidade de Luanda, ligados à magia negra comercializada no Mercado dos Kwanzas, onde o "fetichismo" associado à "tala" continua a ceifar vidas.

Na 11.ª edição do Festival Internacional de Teatro, a Companhia de Artes Cénicas Filoma Musanzala conquistou quatro distinções: Ubuntu, Cenografia, Grupo Popular CIT e CIT 2026. Que sentimento vos deixa esta conquista?

Panzo da Cunha (P.C) | O sentimento é de gratidão e reconhecimento, e isso motiva-nos, porque havia muitos e bons espectáculos. Assim como os outros grupos, nós trabalhámos arduamente para conquistar o galardão, mas em toda a competição só há um vencedor.

Elvira Panzo (E.P) | Foram mais de 50 grupos que passaram pelo palco do Círculo Internacional de Teatro, e sermos nós os vencedores é uma grande alegria, porque não foi fácil: foram noites e horas de muito trabalho. Nós investimos esforço, tempo e dinheiro, e não foi pouco! Sempre que olhávamos para os gastos, questionávamo-nos se teríamos retorno. Mas sempre fomos optimistas e acreditámos que iríamos vencer.

Margareth Zombo (M.Z) | Para mim, é ainda mais gratificante, porque tive dificuldades em compreender o texto. Só no penúltimo dia é que percebi a peça, porque o nosso director trabalha do fim para o princípio, e isso tem baralhado muito a minha mente. Nunca uma peça me baralhou tanto como esta. Foi tudo muito exaustivo para mim, mas o nosso lema é: "Fazer teatro rumo ao progresso".

Com este prémio, o grupo soma quatro títulos da maior distinção do Circuito Internacional de Teatro, conquistados nas edições de 2017, 2019, 2023 e 2026.

M.Z | Sim! Já tivemos momentos em que vencemos e algumas pessoas disseram: "Vocês venceram outra vez, só vocês, porquê?" Respondi que não era por nossa vontade, porque ninguém do grupo é membro do corpo de jurados. Tudo quanto temos feito e conquistado é porque Deus permitiu e porque somos optimistas e resilientes.

Quais foram os prémios conquistados em cada uma dessas categorias e o que representam para o grupo?

P.C | Vencer o prémio mais esperado do Festival, que é o CIT Angola Telecom, foi a cereja no topo do bolo. O valor pecuniário foi de um milhão de kwanzas, antes eram apenas 500 mil kwanzas, e esperamos que, nas próximas edições, cresça mais. Muitas vezes, as pessoas só vão ao teatro assistir ao espectáculo e não têm noção do que está por trás de cada apresentação. A preparação de um espectáculo é muito desgastante e envolve muitos gastos. Há vezes em que o prémio atribuído não compensa nem 50% do valor investido.

E.J | Esta edição homenageou o vice-governador da província de Luanda para o Sector Político e Social, Manuel Gonçalves, pelo seu contributo para o fomento das artes e da cultura angolana. Então, não sei se foi uma coincidência terem aumentado o valor do prémio, porque recebemos, no total, 1,4 milhão de kwanzas, contabilizando os 300 mil kwanzas do prémio de Cenografia, mais 100 mil kwanzas do prémio Ubuntu.

Quer dizer que, quando se estabelece o valor pecuniário do prémio de um concurso ligado às artes cénicas, é preciso pensar no custo de produção, porque um milhão de kwanzas, para um grupo, não compensa todas as despesas que teve?

P.C | Sim! Porque temos custos com o transporte, a logística, a indumentária e o cenário, que muitas vezes chega a ser um pouco mais caro, porque os designers não cobram barato. Acredito que muitos grupos de teatro só existem por amor à arte...

Leia o artigo integral na edição 894 do Expansão, sexta-feira, dia 18 de Setembro de 2026, apenas na versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui

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