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Angola

Propina anual de colégio é mais cara do que curso inteiro de Medicina

INCONFORMIDADE NOS PREÇOS

As diferenças abissais entre os valores cobradas pelos colégios e universidades privadas trouxe à tona a injustiça nos critérios de fixação de preços. Um ano do colégio mais caro de Luanda paga o curso de Medicina, que dura seis anos, e ainda sobram 10 milhões Kz. Gestores de universidades questionam Governo.

As propinas que alguns colégios privados cobram por um ano de estudos, incluindo o valor cobrado para a candidatura, inscrição e acesso à instalação, chegam para pagar a totalidade do curso mais caro no ensino superior em Angola, constatou o Expansão com base nas tabelas de preços dos colégios e das universidades privadas mais caras do País. A Escola Internacional de Luanda (LIS) é a instituição mais cara no ensino geral, enquanto que o curso de Medicina da Universidade Privada de Angola (UPRA) é o mais caro no ensino superior

Para estudar na exclusiva Escola Internacional de Luanda (LIS), o aluno paga anualmente cerca de 22 milhões Kz só de propinas. A este valor somam-se os 445 mil Kz da candidatura, quase 5,0 milhões Kz para a inscrição, e 5,0 milhões Kz para o acesso às instalações. Contas feitas, o aluno tem de pagar anualmente 32,5 milhões Kz, o que dá uma média mensal de 3,3 milhões Kz por cada um dos 10 meses de duração do ano lectivo.

Já a Universidade Privada de Angola obriga os estudantes do curso de Medicina a assinar contratos de "prestação de serviços educacionais", que até ao ano de 2025 estavam avaliados em 25,5 mil USD (equivalente a 23,3 milhões Kz, ao câmbio do BNA desta terça-feira, 8 de Setembro), valor que pode ser ajustado no ano académico 2026/2027, tendo como limite a taxa de inflação homóloga de Maio, conforme orienta o Decreto Executivo Conjunto n.º 187/23. O valor do contrato só faz referência ao pagamento de propinas durante os seis anos de duração do curso.

Contas feitas, entre o valor total de 32,5 milhões Kz num ano de aulas na Escola Internacional de Luanda, e o valor do contrato fixado em 23,3 milhões Kz para o curso de Medicina, com duração de seis anos, existe uma diferença de quase 10 milhões Kz. Ou seja, por um ano de estudos, o LIS cobra 10 milhões Kz a mais do que a UPRA pelos seis anos do curso.

Em entrevista ao Expansão, Paulo Múrias, sócio-gerente da Universidade Lusíada de Angola (ULA) mostrou-se inconformado com esta realidade e questionou por que o Governo permite que os colégios cobrem propinas a preços tão elevados quando as universidades não estão autorizadas a cobrar propinas consoante o número de alunos matriculados para satisfazer a tão desejada qualidade de ensino.

"No ensino secundário, há propinas de colégios que chegam a 2 mil dólares. Nós sabemos isso. Eu pergunto, porquê? Nós estamos inseridos num regime de preços livres. Defendo um modelo praticado em todo o mundo. Ou seja, a partir da altura em que nós optamos por ser um mercado livre, nós temos de aceitar a concorrência. E a concorrência passa, obrigatoriamente, por deixar que nós possamos equilibrar o valor das propinas em função do número de alunos que pretendemos ter e a qualidade da formação que nos propomos dar", defendeu Múrias. Fontes do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI) reconhecem que os preço cobrados nos colégios são exagerados, atendendo à remuneração da maioria das famílias angolanas. No entanto, o ensino superior angolano tem uma perspectiva social e não elitista ou...

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