Mário Palhares regressa ao BNA para presidir Comité de Remunerações
Mário Palhares conhece os corredores do BNA de outros tempos. Foi ali que começou uma trajectória que atravessaria mudanças de regime, reformas económicas e profundas transformações no sistema financeiro angolano. Da banca pública à privada, ajudou a construir instituições e a escrever capítulos de uma história que agora o leva de volta ao banco central.
Mário Palhares foi nomeado pelo Presidente da República para o cargo de presidente do Comité de Remunerações do Banco Nacional de Angola (BNA), numa decisão formalizada por Decreto Presidencial, de 10 de Setembro.
O Comité de Remunerações do BNA é um órgão independente previsto na Lei do BNA (Lei n.º 24/21), que tem como foco a transparência e a sustentabilidade institucional. Compete ao Comité de Remunerações aprovar e acompanhar a aplicação do estatuto remuneratório dos órgãos sociais do banco central.
A estrutura integra um membro indicado pelo Titular do Poder Executivo, que exerce a presidência, um antigo governador do BNA indicado pelo Conselho de Administração e um terceiro membro escolhido pelos dois primeiros.
Assim, a nomeação coloca novamente Mário Palhares no universo institucional do banco central, onde iniciou uma parte importante da sua carreira.
Afinal, quem é Mário Palhares?
De nome completo Mário Abílio Pinheiro Rodrigues Moreira Palhares, de 77 anos, tem um historial de serviço público no sector financeiro, iniciado no Banco de Angola, ainda sob gestão do regime colonial português, e, mais tarde, no Banco Nacional de Angola, após a proclamação da independência. Palhares passou por diversos departamentos da instituição regulatória e monetária até chegar à posição de vice-governador, um ano antes do advento do multipartidarismo, em Dezembro de 1991.
Foi no exercício das funções de administrador e vice-governador do Banco Nacional de Angola (BNA), entre 1991 e 1997, que Mário Palhares começou a consolidar o percurso que o viria a tornar uma das figuras mais sonantes do sector bancário angolano.
Mário Palhares, tem as suas impressões digitais marcadas na evolução do sistema financeiro bancário no País, ao participar na criação do Banco de Comércio e Indústria (BCI), em 1991, ano em que Angola decidiu introduzir na economia um novo modelo de funcionamento da banca, do qual surgiram também o Banco de Poupança e Crédito (BPC), enquanto o BNA passou a assumir as funções actuais.
Após o contributo na consolidação da banca pública, Mário Palhares focou-se no segmento bancário privado, onde participou activamente na fundação do Banco Angolano de Investimentos (BAI), tendo desempenhado os cargos de presidente da Comissão Executiva (CEO) e presidente do Conselho de Administração (Chairman) do BAI Europa.
A permanência no BAI, maior banco do sistema, prolongou-se até 2006, quando saiu para fundar o Banco de Negócios Internacional (BNI), no qual assumiu as funções de membro do Conselho de Administração e presidente da Comissão Executiva (CEO).
Em 2009, o BNI dava os primeiros sinais de expansão para o mercado português, embora a sua efectivação viesse a acontecer apenas em 2014, com a inauguração, em Junho, da primeira agência em Lisboa do BNI Europa, que actualmente tem como accionista único o BNI Angola, cujo beneficiário efectivo era Mário Palhares.
Quatro anos depois de iniciar operações em Portugal, em 2019, Palhares viu-se obrigado a desdobrar-se em tentativas para encontrar um comprador para o BNI Europa, em decorrência das novas regras da indústria.
Em Angola, Palhares conseguiu conduzir uma das transacções mais bem-sucedidas para a estabilidade do sistema financeiro doméstico, evitando uma intervenção do regulador perante as cíclicas turbulências que o banco vinha apresentando nas contas. Fechou com a Gemcorp Capital, através da sua gestora de activos, a Kassai Capital, a venda de 70% do BNI.
O seu nome esteve ainda associado ao sector segurador. Foi durante muitos anos presidente do Conselho de Administração da seguradora Aliança Seguros, detida pelo BNI, e actualmente a página institucional da apresenta ainda Mário Palhares como o PCA.











