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Economia

Petróleo em queda e não petrolífero em alta garantem melhor arranque do PIB desde 2015

NO PERÍODO EM QUE O INE CONCLUIU A REVISÃO DAS CONTAS NACIONAIS

A actualização da metodologia e do ano base das Contas Nacionais tirou peso ao sector petrolífero, que na última década tem enfrentado um forte declínio da produção. Como hoje este sector tem menos peso no PIB, o seu impacto negativo vai afectando cada vez menos as contas nacionais.

A conclusão da revisão das Contas Nacionais Trimestrais pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), na sequência da actualização das contas anuais realizada em 2025, coincidiu com a divulgação de um crescimento homólogo do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,3% no primeiro trimestre deste ano, um crescimento que volta a colocar sob escrutínio o impacto das revisões estatísticas na leitura das estatísticas do INE.

Trata-se do melhor arranque da economia angolana desde 2015, ou seja, é necessário recuar ao primeiro trimestre daquele ano, quando o PIB cresceu 7,3%, para encontrar um desempenho superior ao registado nos primeiros três meses deste ano. Curiosamente, foi também nesse período que a economia começou a sentir os efeitos da forte queda dos preços internacionais do petróleo, que viria a desencadear uma prolongada crise económica e financeira, marcada por cinco anos consecutivos de recessão.

As sucessivas revisões das estatísticas do INE têm suscitado dúvidas por parte de analistas económicos, uma vez que mudou-se o quadro dos sectores, e apresenta algumas taxas de crescimentos mais elevadas. Durante a apresentação das Contas Nacionais do primeiro trimestre, o PCA do instituto, Joel Futi, explicou que as contas nacionais podem ser revistas sempre que necessário, de acordo com uma política previamente definida. Segundo o responsável, existem três tipos de revisão previstas: revisões regulares ou periódicas, extraordinárias e metodológicas.

Assim, explicou que a actua lização realizada no ano passado teve como principal objectivo a mudança do ano-base das contas nacionais, uma vez que até Maio de 2025, as estatísticas eram calculadas com referência ao ano de 2002, tendo passado para 2015. O PCA atribuiu o atraso na actualização às anteriores administrações do instituto, que não seguiram as recomendações internacionais segundo as quais o ano--base deve ser actualizado de cinco em cinco anos. "Foi algo que o INE deixou de fazer no passado", referiu.

Além da mudança do ano--base, INE justifica que procedeu à transição do Sistema de Contas Nacionais das Nações Unidas de 1993 para a versão mais recente, de 2008. Paralelamente, o Ministério das Finanças actualizou o seu sistema de compilação das finanças públicas, adoptando um novo manual metodológico, o que permitiu ao INE harmonizar e actualizar as séries estatísticas.

"As contas nacionais constituem a estatística mais abrangente de qualquer país. Todas as restantes estatísticas entram no seu cálculo. Se houver alterações nas estatísticas das finanças públicas, as contas nacionais têm necessariamente de ser actualizadas", explicou. O responsável recordou que a harmonização foi inicialmente aplicada apenas à série anual, tendo agora sido concluída a actualização da série trimestral. "Esta mos a concluir o trabalho que iniciámos com a harmonização das contas nacionais anuais, alinhando-as com as estatísticas das finanças públicas", acrescentou.

Questionado sobre a eventual instabilidade provocada pelas revisões, o PCA rejeitou essa interpretação, argumentando que a instabilidade surgiria precisamente se a harmonização não fosse realizada. "Importa referir que esta actualização afecta apenas a série trimestral. As taxas de crescimento anuais mantêm-se tal como foram publicadas. O que foi revisto foi a distribuição dos resultados pelos...

Leia o artigo integral na edição 879 do Expansão, sexta-feira, dia 05 de Junho de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui

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