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Económico regressa aos lucros, mas mantém falência técnica pelo 7.º ano consecutivo

COM RESULTADOS LÍQUIDOS DE 15,6 MIL MILHÕES KZ EM 2025

Apesar das várias tentativas para levantar o ex-BESA, com entrada e saídas de accionistas e um Plano de Recapitalização e Reestruturação, o banco continua com problemas de liquidez e em falência técnica.

Depois de três anos consecutivos a registar prejuízos, o Banco Económico voltou a fechar o ano com resultados positivos em 2025. O antigo Banco Espírito Santo Angola (BESA) passou de perdas de 3,3 mil milhões Kz para um lucro de 15,6 mil milhões Kz, segundo o balancete do IV trimestre. Teria de se olhar para o relatório e contas, que segundo a BNA deve ser publicado até 31 de Abril, para se perceber o que está na base dos lucros contabilizados no exercício económico e financeiro do ano passado.

Apesar do resultado positivo, o Banco Económico manteve-se em falência técnica pelo sétimo ano consecutivo, ao apresentar fundos próprios negativos de 650,8 mil milhões Kz em 2025, acima dos -627,3 mil milhões Kz registados em 2024. Isto significa que o banco continua com património líquido negativo, ou seja, o valor das suas obrigações (passivos) permanece superior ao valor dos seus activos, e a melhoria no resultado do exercício não foi suficiente para compensar as perdas acumuladas.

Na prática, o banco continua a enfrentar o mesmo problema de sempre, a falta de liquidez que o impede de dar o salto deste período negativo em que se encontra praticamente desde que renasceu das cinzas do Banco Espírito Santo Angola, mas que foi agravado em 2019 com a reavaliação de activos que o BNA fez a pedido do FMI, onde foi destapado o volume do malparado da instituição. E nem a recapitalização e aumento de capital verificada em 2022, à conta dos maiores depositantes do banco, que se reuniram num veículo denominado Fundo de Capital de Risco, gerido pela Independent Finance Advisors, trouxe a liquidez que o banco precisa para descolar.

Realçar que, em 2024, o Banco Económico recebeu uma ajuda do Banco Nacional de Angola (BNA) através de um empréstimo de 77,1 mil milhões Kz, equivalente a 85 milhões USD, por via de uma operação de cedência de liquidez overnight, de acordo com o relatório e contas de 2024 do banco central, que demonstrou que o Banco, que já era o maior devedor do banco central, voltou a não cumprir as suas obrigações, obrigando o BNA a dar já como perdido cerca de 70% desse valor. No entanto, a posição de passividade do BNA ao longo dos anos, desde as duas passagens de José Massano pelo banco central, a José Pedro de Morais e Valter Filipe, trouxe o banco para um cenário difícil.

Depósitos e créditos caíram

O balancete do IV trimestre revela também que os depósitos do Económico caíram 15% para 898,5 mil milhões Kz (-155,4 mil milhões), o que sinaliza uma retirada de fundos por parte de clientes, bem como uma menor entrada de novas poupanças, pressionando a capacidade do banco para financiar a concessão de crédito e cumprir compromissos de curto prazo, ou seja, há uma maior pressão sobre a liquidez da instituição.

O stock de crédito registou também uma contracção, ao cair de 52,6 mil milhões Kz em 2024 para 39,8 mil milhões Kz em 2025, uma redução de 32% em termos homólogos. Com estes movimentos, o ex-BESA terminou o ano com um rácio de transformação de apenas 4%, muito abaixo da média da banca angolana, que ronda os 30%, sinalizando uma capacidade reduzida de converter depósitos em financiamento à economia.

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