Saltar para conteúdo da página

Logo Jornal EXPANSÃO

EXPANSÃO - Página Inicial

Logo WeekendLifestyle

"A banca olha só para determinadas pessoas, tem os seus preferidos e grupos"

WALTER ANANAZ | MÚSICO E COMPOSITOR

Walter Ananaz é um músico com mais de 30 anos de carreira, lamenta a falta de promoção da cultura nacional nos meios de comunicação e o fraco investimento que se tem feito no sector ao longo dos anos, falando das dificuldades que a banca coloca na cedência de empréstimos.

Realizou, recentemente, um concerto alusivo à sua trajectória artística. São mais de 30 anos de carreira?

Comecei a cantar publicamente num concurso regional do sul do País, realizado em 1985, no Namibe. Antes da aparição pública, já cantava por influência do meu irmão mais velho, o Cândido Ananás, isto aos 9 ou 10 anos. Na época, era corista das músicas dele e fazia banda com os amigos, imitando vários artistas angolanos como Calabeto, Bonga, Carlos Burity, Artur Nunes, Tony do Fumo, entre outros...

Estes artistas são as suas principais referências?

Não só, são vários. A minha primeira influência nacional foi o Matadidi Mário, pois tinha uma desenvoltura em palco e imitava--o ao dançar, mas tive também referências internacionais. Porém, precisamos enaltecer as nossas referências angolanas, sobretudo aquelas que tive o privilégio de conhecer e compartilhar conhecimento durante a infância.

Ao longo da sua trajectória, que momentos o marcaram, tanto positiva ou negativamente?

Agora que sou adulto, penso que tive poucos acontecimentos que marcaram de forma negativa a minha jornada, porque acredito que estava num processo de aprendizagem. Como profissional, o que mais me deixa triste é a falta de investimento a nível cultural, as pessoas pensam que os artistas devem fazer por si. O trabalho do artista é criar. Entretanto, devem haver estruturas organizadas e investimento público e privado para o seu desenvolvimento. Por exemplo, não temos salas para shows nos municípios, se quiser realizar um show no Cabo Ledo, onde é que seria? Tudo bem que o município é novo, mas devia haver uma sala multiuso para que os artistas possam trabalhar. Momentos felizes considero-os todos, porque estamos num País com muitos desafios. Na época em que comecei a minha carreira, era numa fase difícil - um período de guerra - infelizmente, até hoje, vivemos os efeitos da guerra. Entretanto, fico feliz que os angolanos não tenham perdido a sua essência.

É de opinião que o angolano ainda preserva a sua identidade, mesmo diante do intercâmbio com outras culturas?

Sim! O angolano não perdeu a sensibilidade, o poder de criar e apreciar a arte. Mesmo diante de toda essa mescla racial e étnica continuamos a manter a nossa identidade. Estamos a caminhar para o cosmopolismo e acredito que devemos tirar maior proveito deste intercâmbio cultural, no sentido de mostrar ao mundo que temos muito mais a oferecer em função da mutação que sofremos. Por exemplo, hoje se conhecemos os EUA é mais pelo cinema e pela música.

A par do cinema e da música, os Estados Unidos têm também uma indústria bélica.

Sim, mas não é o que os define ou o que grande parte das pessoas no mundo procuram saber deles. O mais importante para um país é saber o potencial que tem e tirar maior proveito das suas valências. Entretanto, Angola é um País novo, mas temos o direito de reclamar das nossas necessidades e, só reivindicamos, porque sabemos que há solução. Sabe-se que as prioridades têm sido outras, mas não podemos deixar algumas para trás. A cultura é fundamental.

Recentemente recebemos o Will Smith. Acredita que o artista tem esse reconhecimento mundial porque o país dele investe na cultura e no capital humano?

Sim. Quando recebemos o Will Smith vimos o alvoroço que cau sou porque ele é uma referência mundial. Observa que não veio para cantar, mas veio devido à sua posição na cultura norte-americana. Então, por que é que não pode mos ter também referências mundiais a esse nível? Eles têm porque investem fortemente e, muitas vezes, está o Estado a assegurar o desenvolvimento dessas figuras.

Tem-se investido pouco na cultura?

Pouco não, muito pouco! O ministério da Cultura deve saber o que é necessário para cultura funcionar. Do mesmo jeito que se cuida dos museus, deve-se também investir na história do País porque se trata do maior património. O ministério deve saber que existem produtoras, o que elas fazem e o que precisam, e deve também saber que se houver motivação o privado poderá investir neste sector. A banca não funciona como deveria para todos no País, ela olha para determinadas pessoas, tem os seus preferidos e os seus grupos. E, mesmo que a pessoa tenha as garantias exigidas para ce dência de crédito, às vezes não con segue um empréstimo.

Fala isso por conta de uma experiência vivida?

Sim. Falo sempre na primeira pessoa, infelizmente é assim que as coisas funcionam. Parale lamente, vamos lutar para... Leia o artigo integral na edição 875 do Expansão, sexta-feira, dia 08 de Maio de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui

Logo Jornal EXPANSÃO Newsletter gratuita
Edição da Semana

Receba diariamente por email as principais notícias de Angola e do Mundo