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Empresas & Mercados

Fundos de pensões duplicam, mas 84% está entre o Estado e os bancos

EM CINCO ANOS

Activos dos fundos de pensões ultrapassaram 1,2 biliões Kz em 2025 e mais do que duplicaram desde 2021. Mas quase metade está aplicada em dívida pública e outros 35% permanecem em depósitos bancários. Agricultura, indústria, infra-estruturas e empresas continuam praticamente fora do destino de uma das maiores bolsas de poupança de longo prazo existentes no País.

Os fundos de pensões angolanos mais do que duplicaram de dimensão nos últimos cinco anos, mas o crescimento desta enorme bolsa de poupança ainda está longe de produzir um impacto equivalente na economia real. O problema já não é apenas quanto dinheiro existe. É sobretudo onde é colocado. O valor dos fundos passou de 602.660 milhões Kz em 2021 para 1.245.955 milhões Kz em 2025, um crescimento superior a 106%, depois de ter ultrapassado pela primeira vez a fasquia de 1 bilião Kz em 2023, quando atingiu 1.072.405 milhões Kz

Dados mais recentes divulgados pela Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG) confirmam a tendência: o regulador aponta para activos sob gestão de cerca de 1,26 biliões Kz em 2025, mais 11% do que no ano anterior, e 68.423 participantes, um crescimento de 4%. É uma evolução importante para um mercado ainda jovem. Mas esconde uma fragilidade estrutural: 84% dos activos estão concentrados em apenas dois destinos que pouco contribuem directamente para financiar novos projectos empresariais.

As Obrigações do Tesouro (OT) absorvem 49,31% da carteira e os depósitos a prazo outros 35%. Ou seja, praticamente 1,05 biliões Kz dos fundos estão, directa ou indirectamente, entre o Estado e os bancos. O comportamento tem racionalidade financeira. As gestoras administram dinheiro que terá de pagar reformas no futuro e, por isso, segurança, liquidez e previsibilidade são fundamentais. Mas a concentração revela igualmente a escassez de alternativas e transforma os fundos de pensões num financiador do Estado, em vez de os tornar também num dos grandes investidores institucionais da economia.

"Apesar do crescimento e da expansão dos fundos, esta riqueza ainda não é palpável na economia real do País", alerta o actuário Pedro Pinto, que considera necessário encontrar estratégias capazes de aumentar o impacto destes recursos no desenvolvimento económico.

Segurança primeiro

Domingos Matamba, director de desenvolvimento de negócios do BFA Pensões, explica que o conservadorismo resulta da própria natureza do negócio. Os fundos administram dinheiro de terceiros e têm responsabilidades futuras perante os beneficiários, ao contrário dos fundos de investimento, que podem assumir níveis superiores de exposição ao risco. O argumento é válido. O problema começa quando a prudência se transforma em imobilismo.

Um fundo de pensões não deve financiar indiscriminadamente empresas ou projectos de elevado risco apenas porque a economia precisa de capital. Mas também não parece eficiente que uma instituição que administra poupanças com horizontes de 10, 20 ou 30 anos mantenha mais de um terço da carteira em depósitos bancários. O próprio Domingos Matamba considera excessiva a concentração de 35% nos depósitos, sobretudo porque a rentabilidade pode ser absorvida pela inflação.

O problema é também de oferta. O mercado angolano ainda tem poucos activos capazes de receber investimento institucional desta dimensão. Há poucas empresas cotadas, um mercado de obrigações corporativas reduzido, poucos fundos especializados, escassos instrumentos de financiamento de infra- -estruturas e um universo ainda limitado de empresas com governação, informação financeira e transparência suficientes para receber dinheiro cuja primeira obrigação é proteger a reforma dos...

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