Inflação homóloga mantém trajectória descendente e cai para 8,78% em Agosto
Mas isto não significa que os preços estejam a baixar. Pelo contrário, os preços continuam a subir, mas a um ritmo inferior ao verificado no ano passado, o que se traduz numa redução da taxa de inflação. Por exemplo, um cabaz de bens que custava 100.000 Kz em Agosto de 2025 custaria agora cerca de 108.780 Kz, considerando a inflação homóloga de 8,78%.
A inflação homóloga continua numa trajectória descendente e recuou 0,55 pontos percentuais, para 8,78% em Agosto, face ao mês de Julho, mantendo-se abaixo de um dígito, segundo cálculos do Expansão com base no Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN), divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Trata-se da taxa de inflação homóloga mais baixa dos últimos 11 anos. Foi necessário recuar 136 meses, concretamente até Abril de 2015, quando a taxa de inflação homóloga se fixou em 8,23%, para encontrar uma taxa inferior à registada em Agosto deste ano.
Mas isto não significa que os preços estejam a baixar. Pelo contrário, os preços continuam a subir, mas a um ritmo inferior ao verificado no ano passado, o que se traduz numa redução da taxa de inflação. Por exemplo, um cabaz de bens que custava 100.000 Kz em Agosto de 2025 custaria agora cerca de 108.780 Kz, considerando a inflação homóloga de 8,78%.
Ainda assim, os preços continuam a subir onde doi mais. A classe "Educação" foi a que registou o maior aumento do índice de preços, com uma variação homóloga de 19,33%. Destacam-se também os aumentos nas classes "Alimentação e bebidas não alcoólicas", com 9,94%, "Saúde", com 9,66%, e "Bebidas alcoólicas e tabaco", com 9,02%, conforme os dados do INE.
O facto é que a desaceleração da inflação em Angola contrasta com um cenário internacional ainda marcado por pressões energéticas, tensões geopolíticas e juros elevados. Internamente, a contenção tem sido apoiada por mecanismos administrativos, sobretudo o controlo dos preços dos combustíveis, que limita a transmissão dos choques externos, mas representa custos elevados para o Estado, num país que importa cerca de 75% dos combustíveis consumidos.
Por outro lado, a estabilidade do kwanza face ao dólar, mantida em torno dos 912 Kz desde Dezembro de 2024, constitui igualmente um factor de contenção dos preços. No entanto, a persistência de desequilíbrios no mercado cambial levanta dúvidas sobre a sustentabilidade desta trajectória de desinflação. Para especialistas, a combinação entre controlo dos combustíveis e estabilidade cambial pode estar a adiar pressões inflacionistas que poderão ressurgir caso estes mecanismos sejam alterados.











