Incerteza geopolítica e transição digital lideram os desafios globais do sector segurador
A crescente volatilidade geopolítica, a pressão contínua sobre as margens financeiras e a urgência de passar os projectos de inteligência artificial da fase piloto para a escala real estão a redefinir o panorama internacional da indústria seguradora. A análise foi apresentada por Frederico Fragoso, senior manager da EY Angola, durante o XI Fórum Seguros do Expansão, ao traçar o enquadramento das tendências globais que impactam e moldam a transformação do sector.
De acordo com os dados internacionais avançados pelo especialista da EY, cerca de 56% dos directores de risco (Chief Risk Officers - CRO) das seguradoras a nível mundial identificam a geopolítica, as barreiras tarifárias e a inflação como estando entre os três maiores riscos para o negócio nos próximos três anos. Este ambiente de incerteza e volatilidade tem tido um impacto directo no ritmo de crescimento dos prémios em termos globais, obrigando os operadores a reverem as suas estratégias de penetração e protecção de capital.
Paralelamente, o sector enfrenta uma compressão acentuada nas suas margens de rentabilidade, tornando o ganho de eficiência operacional uma exigência imperativa. A disrupção tecnológica e a integração da inteligência artificial posicionam-se actualmente como o desafio número um apontado pelos presidentes executivos (CEOs) das companhias a um horizonte de 12 meses, sendo consideradas o principal obstáculo ao cumprimento das metas financeiras estabelecidas pelas instituições.
Neste contexto de mudança estrutural, o mercado assiste à entrada de novo capital e de novos actores, com os fundos de private equity a ganharem um peso crescente na dinamização de novos produtos e canais de distribuição. Cerca de 73% dos CEOs auscultados pelos estudos da consultora reconhecem que os choques externos estão a obrigar o sector a repensar e a acelerar a cadência com que concretiza a sua transformação operacional e de modelo de negócio.
Por fim, Frederico Fragoso abordou a transição da inteligência artificial da fase de promessa para a aplicação em grande escala. Embora cerca de 90% das seguradoras demonstrem intenção de reforçar o investimento em IA, a grande maioria dos projectos ainda se encontra circunscrita a programas piloto sem dimensão de escala, com a prioridade focada em gerar valor comercial e financeiro real.
Contudo, o responsável da EY sublinhou que a qualidade, a estruturação e o acesso aos dados continuam a constituir a principal barreira para que as companhias consigam alavancar plenamente o potencial destas tecnologias avançadas.











