VC Horizonte 21 sem data para venda de cestas básicas
Uma garantia soberana vai permitir a emissão de títulos de dívida corporativa na Bolsa de Valores de Omã por parte da empresa de um membro do Comité Central do MPLA. "A nossa principal actividade é ganhar dinheiro", diz Hernani Chova para justificar dispersão de negócios e actividades diferentes.
A empresa angolana VC Horizonte 21, uma Sociedade Anónima promotora do "Projecto de Fornecimento de Cestas Básicas de Qualidade a Preços Acessí veis", que visa "criar um choque para os preços arrefecerem" através da dinamização da produção nacional, financiamento à criação de cantinas e capacitação dos produtores locais, ainda não tem informação detalhada sobre a implementação do projecto que terá uma garantia soberana para um financiamento de 100 milhões USD, disse ao Ex pansão Hernani Antunes Chova, administrador da instituição e membro número 319 do Comité Central (CC) do MPLA.
"Queremos criar um choque para os preços arrefecerem", assegurou o administrador da VC Horizonte 21, uma organização que conta nos seus registos com vários contratos associados a entidades públicas em áreas diversas, como a desminagem, importação de alimentos destinados à Reserva Estratégica Alimentar (REA) ou o fornecimento de equipamentos ao Ministério do Interior.
"A nossa principal actividade é ganhar dinheiro", confessou Hernani Chova, quando questionado sobre a dispersão de negócios e actividades diferentes. Apesar da ausência de pormenores detalhados e dos preços que serão praticados quando as cestas básicas chegarem ao mercado, o gestor e político assegura que o projecto, descrito no Despacho Presidencial n.º 76/26, de 9 de Março, como sendo de "na tureza estruturante", foi pensado para evitar a dependência de produtos importados.
"Apenas um produto virá de fora", garantiu Hernani Chova. "Alguém tem de ter coragem de fazer as coisas", sublinhou, durante um encontro com o Ex pansão no escritório da empresa, situado em Talatona. A natureza estruturante do projecto, segundo o Despacho Presidencial, justifica-se porque os promotores vão "combinar a segurança alimentar, o desenvolvimento sustentável e a inclusão social da população angolana em situação de maior vulnerabilidade socioecónomica para a redução da insegurança alimentar e para a promoção da estabilidade económica".
Sobre uma eventual ligação entre a iniciativa e as eleições de 2027, à semelhança do que aconteceu com a criação e actuação da REA durante o último período eleitoral, em 2022, o empresário negou a associação. "Não tem nada a ver com as eleições, o projecto começou há mais de 2 anos", disse o administrador da VC Horizonte 21. Também o facto de ser membro do CC do MPLA, na sua opinião, é uma condição que não o "favorece em nada", garantindo que muitas vezes sente-se "até prejudicado por esse facto". "O partido nunca me deu nenhum negócio", sublinhou Chova.
Em 2023, o Novo Jornal noticiou que a VC Horizonte tinha como sócios Jorge Francisco Silveira, antigo director do Cerimonial do Presidente da República, e Mateus Vilembo, que foi director do Serviço de Inteligência durante os governos de José Eduardo dos Santos.
Do histórico de negócios entre a empresa, criada em 2018, e o governo, constavam, segundo o Novo Jornal, desde minas de exploração de diamantes negociadas com o Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, a hospedagem e alimentação contratadas pelo Ministério do Ensino Superior. Entre as empresas parceiras da VC Horizonte 21, a Milembo tinha, entre outros sócios, um fi lho do ex-governador de Malanje, Norberto dos Santos "Kwata Kanawa", Eduardo Lucamba Fernandes, que chegou a ser arguido num mediático e grave processo, em 2010, na sequência do desvio de 159 milhões USD da Conta Única do Tesouro e que ficou conhecido por "Caso BNA". Durante a conversa com o Expansão, Hernani Chova confirmou apenas que a VC Horizonte 21 tem 12 sócios.
Dinheiro já está em Angola
O financiamento para produzir as cestas básicas e dinamizar as restantes vertentes do projecto tem origem em Omã, país que tem vindo a substituir interesses russos em Angola, sobretudo no sector diamantífero, onde ficaram com as participações estratégicas da Alrosa nas duas maiores minas em Angola, Catoca e Luele.











