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Cimenfort estuda a saída do consórcio que ficou com cimenteira CIF no PROPRIV

IMPASSE NAS NEGOCIAÇÕES

Uma eventual saída desta empresa deixaria a parceria órfã de know-how, já que é a empresa da companhia que tem experiencia na produção de cimento. A incerteza compromete o pagamento da primeira tranche ao IGAPE.

Está em causa a continuidade da Cimenfort no consórcio vencedor da privatização da CIF e da CF Logística, devido a dificuldades financeiras que comprometem o pagamento da primeira tranche ao Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE). A decisão deverá ser conhecida ainda esta semana, apurou o Expansão junto de fontes do consórcio.

O consórcio é composto pela Griner, Mercons e Cimenfort, sendo que esta última detém experiência na produção de cimento, com duas fábricas em funcionamento, uma no Lobito (Benguela) e outra em Cabinda. Uma eventual saída desta empresa deixaria a parceria órfã de know-how. As empresas foram anunciadas vencedoras em Maio de 2025, e o IGAPE formalizou o contrato em Julho.

A primeira prestação, no valor de 25 mil milhões Kz (23,8 mil milhões Kz relativos à fábrica de cimen to e 3,2 mil milhões Kz à CF Lo gística), deveria ter sido paga em Setembro de 2025, no prazo de 45 dias após a assinatura do acordo, o que não aconteceu até ao momento. Inicialmente, o não-pagamento decorria do facto de o consórcio não ter constituído uma SPV (Sociedade de Propósito Específico), entidade jurídica criada para executar o contracto ou investimento. Este problema foi resolvido no mês passado, com a criação da sociedade Zentu, que está a tratar da regularização da dívida junto do IGAPE, já estimada em 90 mil milhões Kz.

Actualmente, o principal entrave é a incapacidade financeira da Cimenfort para cumprir com a sua parte no consórcio. Uma eventual saída pode envolver a entrada de um novo sócio ou a redistribuição das participações pelas restantes empresas. "Não está nada fechado, estamos a negociar seriamente a posição da Cimenfort, que enfrenta dificuldades financeiras para assumir a sua parte, mas a solução será apresentada em breve", disse uma fonte do consórcio.

Assim, enquanto dura o imbróglio, a dívida do activo mais valioso entre os já privatizados, em termos de valor de adjudicação, continua a aumentar o incumprimento no PROPRIV e já ascende a 107 mil milhões Kz. Além do consórcio, outras empresas acumulam dívidas associadas a activos do programa de privatizações. Entre elas destaca-se a IEP - Investimentos e Participações, que adquiriu a têxtil Tex tang II e a Fazenda de Quizenga, ambas privatizadas em 2020, e regista um incumprimento superior a 8 mil milhões Kz. Sem o incumprimento global de 107 mil milhões Kz, o Estado já teria arrecadado cerca de 472,0 mil milhões Kz dos 879,3 mil milhões Kz em activos alienados.

O Expansão exclui deste cálculo as operações de troca de activos, como a cedência de uma participação de 31,78% na Puma Energy à Trafigura, em troca da Pumangol, sem entrada de caixa. Assim, o encaixe financeiro efectivo do Estado situa-se em 361,4 mil milhões Kz. A fábrica CIF Cement, um activo do universo de empresas ligadas à China International Fund Limited, foi entregue ao Estado em 2020, no âmbito do processo de recuperação de activos envolvendo os generais Dino e Kopelipa.

A unidade, com capacidade instalada de 5 mil toneladas de cimento por dia, foi adjudicada ao consórcio por um valor 160% acima do preço de referência, fixado em 68,4 mil milhões Kz.

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