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Mais de 71% do malparado recuperado pela Recredit foi em garantias imobiliárias

RECREDIT SÓ RECUPEROU 21,8 MIL MILHÕES KZ

FMI alerta sobre a necessidade de monetizar estes activos. PCA da Recredit revelou ao Expansão que já está a registar os imóveis em nome do Estado para os vender. " A nossa missão é entregar dinheiro ao Tesouro e não imóveis", admite Valter Barros.

A Recredit só recuperou 21,8 mil milhões Kz de um total de 1,2 biliões de Kwanzas das duas carteiras de crédito malparado que recebeu do BPC, com 71% do valor já recuperado a ser proveniente da execução de garantias imobiliárias o que, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), obriga a esforços para rentabilizar estes imóveis.

Segundo confirmou ao Expansão o PCA da Recredit, Valter Barros, em 2021 a meta de valor a recuperar, 19,8 mil milhões Kz, foi ultrapassada. Mas do total do malparado recuperado pela Recredit, 71,5% foram pagos com activos imobiliários. Ou seja, em dinheiro só foram recuperados 6,2 mil milhões Kz

Aliás, o FMI sublinhou no seu relatório sobre a sexta e última avaliação ao programa do Fundo em Angola, para a necessidade de se monetizar estes imóveis."A Recredit atingiu os seus objectivos de recuperação pela primeira vez no III trimestre de 2021 e espera continuar a fazê-lo no futuro. Contudo, o staff [do FMI)] observou que uma grande parte das recuperações consistiram na activação de garantias imobiliárias, e as autoridades precisam de aumentar os esforços para as rentabilizar", revela a instituição multilateral no relatório. Ao que o Expansão apurou, a Recredit está a transferir para a posse do Estado estes imóveis e só depois serão colocados no mercado de forma a transformar estes imóveis em capital.

"Temos consciência que o nosso papel é entregar dinheiro ao Tesouro e já estamos na fase de registo destes imóveis em nome do Estado para depois colocá-los no mercado e assim monetizarmos estes activos", explica o PCA da Recredit. O responsável acrescentou que os imóveis estão avaliados ao justo valor do mercado por um perito avaliador de imóveis registado na Comissão do Mercado de Capitais.

O também denominado "banco mau" do BPC adquiriu duas carteiras de crédito do maior banco público, totalizando 1,2 biliões em créditos de cobrança duvidosa. A segunda, no valor de 950 mil milhões Kz, foi adquirida em 2020 por 57 mil milhões, equivalente a 6% do valor da carteira.

O PCA da Recredit acredita que o valor pago pela segunda carteira de crédito será alcançado brevemente já que o valor de garantias em execução no tribunal são largamente superiores ao montante realmente pago por esta carteira.

O que está por recuperar

A Recredit tem a responsabilidade de recuperar os activos tóxicos do BPC, cujo valor do malparado até 2020 valia 26% da carteira do crédito malparado da banca. Até ao momento, apenas recuperou 1,8% da carteira.

De acordo com o responsável da Recredit estão neste momento em tribunal 11 processos que totalizam um valor total de 167,4 mil milhões Kz. Na área de contencioso, e que poderão ser remetidos para tribunal caso não se chegue a acordo, estão 276,8 mil milhões Kz em créditos. Valores muito acima da meta traçada pela Recredit para recuperação este ano: 26,33 mil milhões Kz.

(Leia o artigo integral na edição 660 do Expansão, de sexta-feira, dia 4 de Fevereiro de 2022, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)

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