Disponibilizados 100 milhões USD para modernizar o INAMET
O investimento será disponibilizado através de dois instrumentos financeiros distintos, ambos contratados junto do banco francês Société Générale.
O Executivo avançou com um financiamento global de cerca de 99,3 milhões de euros para a modernização do Instituto Nacional de Meteorologia de Angola (INA MET), num modelo assente em crédito externo estruturado e com forte componente de seguro de risco, num momento em que o País volta a ser confrontado com episódios extremos de precipitação, como as recentes cheias na província de Benguela.
De acordo com o Despacho Presidencial n.º 127/26, o investimento será disponibilizado através de dois instrumentos financeiros distintos, ambos contratados junto do banco francês Société Générale. Por um lado, um Acordo de Crédito à Exportação no valor de 72,25 milhões de euros, com cobertura da agência pública francesa BPI France, destinado a financiar 85% do contrato comercial de modernização do INAMET.
Por outro, um Acordo de Crédito Comercial adicional de 27,07 milhões de euros, que assegura os restantes 15% correspondentes ao pagamento inicial, incluindo custos associados como o prémio de seguro e a comissão de mitigação de risco . Este modelo de financiamento revela uma opção clara por soluções "chave na mão" com forte dependência externa, não apenas ao nível do capital, mas também da execução técnica, entregue à empresa Météo France International, parceira do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social no projecto .
Na prática, trata-se de um pacote integrado onde financiamento, tecnologia e implementação são importados, reduzindo a margem de participação local. O destino do investimento é a chamada segunda fase de modernização do INAMET (INAMET 2), que visa reforçar a capacidade institucional, actualizar infra-es truturas tecnológicas e melhorar a qualidade dos serviços meteorológicos a nível nacional . Em termos concretos, isto deverá traduzir-se na instalação de novas estações meteorológicas, sistemas de previsão mais avançados, melhoria das redes de recolha e tratamento de dados e, sobretudo, no reforço dos sistemas de alerta precoce - uma componente crítica num país cada vez mais exposto a fenómenos climáticos extremos. A calendarização e a urgência deste investimento não são alheias ao contexto recente.
As cheias registadas em Benguela voltaram a expor fragilidades estruturais na capacidade de previsão, monitorização e resposta a eventos climáticos severos, com impactos humanos e materiais relevantes. Num cenário de crescente variabilidade climática, a ausência de sistemas de alerta eficazes agrava custos económicos e sociais, tornando este tipo de investimento menos opcional e mais estrutural. A<
inda assim, o histórico do sector levanta questões sobre a eficácia destes programas. Angola tem vindo, há mais de uma década, a anunciar sucessivos processos de modernização do INAMET, com resultados pouco visíveis no terreno, nomeadamente na cobertura territorial das estações, na fiabilidade das previsões e na integração da informação meteorológica nos sistemas de protecção civil e planeamento económico.
O desafio não é apenas tecnológico, mas também institucional: sem articulação efectiva entre entidades, manutenção adequada dos equipamentos e formação contínua de quadros, o risco de obsolescência precoce mantém-se elevado. Acresce que o recurso a financiamento externo, ainda que com condições mitigadas por garantias de crédito à exportação, aumenta a pressão sobre a dívida pública num contexto de restrições orçamentais, o que obriga a uma avaliação rigorosa do retorno económico e social deste investimento. A capacidade de transformar dados meteorológicos em decisões operacionais - na agricultura, aviação, energia ou gestão de riscos - será determinante para justificar o esforço financeiro.
No essencial, o Governo volta a apostar na modernização tecnológica como resposta a falhas estruturais, mas a experiência passada sugere que o sucesso dependerá menos do montante mobilizado e mais da capacidade de execução, integração e sustentabilidade do sistema no longo prazo. Num país onde as cheias e secas já deixaram de ser eventos excepcionais, investir em meteorologia deixou de ser uma questão técnica para passar a ser uma prioridade económica.











