Compliance, controlo interno e a Unitel
O ataque à Unitel mostra como é bom evitar concentração em determinados grupos, não somente para evitar manipulação para maiores ganhos através dos preços dos serviços e produtos, mas também quando em presença de crise, catástrofe, não venha a afectar desastrosamente as estruturas funcionais.
As organizações devem estruturar-se segundo um modelo de governação corporativa de maneira que reforce o foco no controlo interno e na observância de uma cultura de compliance com os postulados bem vincados à salvaguarda de acontecimentos inesperados.
Sabemos que no mundo tecnológico as coisas mudam rápida e profundamente, obrigando as organizações a transformações, de forma a procurarem as melhores ferramentas para acompanhar as mudanças e, se possível, à mesma velocidade, para enfrentarem os desafios dos sistemas de controlo interno e de uma função compliance. Ao mesmo tempo é importante transmitir esta cultura a todos os intervenientes nos processos internos da organização, incluindo nesses controlos, para prevenção de eventuais operações ilegais, fraudulentas que culminem em desfalques, não somente à instituição como a clientes, fornecedores e investidores (stakeholders).
Há que elaborar um plano de contingência para garantir a adequada implementação e a efectividade por meio de acompanhamento de testes periódicos, e a gestão de crises deve ser vista como uma sequela do planeamento de contingências, quando estiver em presença de uma crise. É necessário encontrar uma solução para ela e o que se pode aprender e tirar proveito da situação.
Geralmente a reacção imediata a uma crise é a negação, seguida de pânico. Nesse caso, uma declaração formal para toda empresa de que se está a enfrentar uma crise grave é necessária para focar a atenção e mobilizar recursos para conseguir resolvê-la, o que aconteceu com a Unitel. Mas, tratando-se de uma crise "catastrófica", a gestão de crise somente funciona se possuirmos um plano de contingência.
Os pontos importantes de um plano de contingência e recuperação (lembrar que por falhas nos planos de contingência de algumas empresas que funcionavam operacionalmente no World Trade Center, no dia 11 de Setembro de 2001, muitas empresas que estavam no prédio, simplesmente deixaram de existir.
Outro exemplo, o escritório da Fuji Capital Markets foi capaz de recuperar dentro de dois dias, depois de o seu escritório no World Trade Center ter sofrido um atentado à bomba), nomeamos algumas, como: (i) Avaliar os procedimentos antes, durante e depois da emergência, (ii) Determinar um local alternativo para continuidade das actividades, (iii) Designar um responsável pela segurança, (iv) Elaborar um manual com plano para os colaboradores, (v) Efectuar o backup do movimento diário processado e guardado em local seguro e, (vi) Fazer testes anuais documentados e devidamente verificados.
As áreas de compliance, controlo interno, risco, segurança da informação, auditoria, devem buscar uma sinergia para que os processos agreguem resultados mais efectivos na organização, embora essas actividades buscam as mesmas informações, mas para objectivos distintos. A cada dia, as exigências aumentam sem capacidade suficiente para atender tanta procura, dai a sinergia na obtenção das informações e melhorias nos processos dependem de todos, conforme mostra o modelo de gestão integrada das áreas de suporte da organização abaixo:
Oportunidades no mercado secundário na condição Bear
Este acontecimento na Unitel, surge no momento em que a operadora colocou 15% do capital da empresa a novos investidores ou accionistas. O impacto reputacional mostrou-nos a importância que esta empresa tem no ecossistema económico-social do país, poderá diminuir a confiança entre os stakeholders, mas não retira o funcionamento da negociação das acções na Bodiva, onde os investidores irão reagir, isto, no mercado secundário, ainda que as acções venham a baixar, e neste mercado de forma Bear (mercado de baixa, acompanhado por pessimismo e medo generalizado entre os investidores), fazem negócios e observando a dicotomia entre as forças bases do mercado (procura e oferta), regulará o seu preço.
Porque os governos combatem os monopólios/duopólios
Este incidente leva-nos a reflectir sobre as medidas que os governos tomam para o combate dos monopólios (situação de mercado em que uma única empresa controla a venda de um produto ou serviço, sem ter concorrentes diretos e sem substitutos próximos) e por vezes também os duopólios (estrutura de mercado caracterizada pelo domínio de apenas duas empresas), evitando uma concentração em determinados grupos não somente para evitar manipulação para maiores ganhos através dos preços dos serviços e produtos, mas também quando em presença de crise, catástrofe, não venha a afectar desastrosamente as estruturas funcionais, quando melhor diversificados, ou seja, uma base mais alargada de intervencionistas (players).
Portanto, as organizações devem implementar um sistema de controlo ou modelo de gestão, que promova sinergias entre as áreas de compliance, controlo interno, riscos, segurança da informação e auditoria; elaborar um plano de contingência e recuperação para garantir a adequada implementação; investir nos sistemas tecnológicos para responder à procura do mercado; desconcentrar a actividade para uma base mais alargada com inclusão, dando oportunidade a mais intervenientes; e os governos manterem o combate aos monopólios/duopólios.











