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África

Comércio intra-africano cresce 10% em 2026 para 230 mil milhões USD

CONFLITO NO MÉDIO ORIENTE FAVORECE ACELERAÇÃO DA ZONA DE COMÉRCIO LIVRE, RELATÓRIO DO AFREXIMBANK

O actual contexto "apresenta uma oportunidade decisiva para impulsionar a integração económica e reduzir a vulnerabilidade a choques externos", diz relatório do Afreximbank, que coloca África Central entre zonas mais vulneráveis, pela "extrema dependência de um pequeno conjunto de mercadorias", e África Oriental bem lançada.

O comércio africano intra-continental deverá crescer 10% em 2026, passando de 210 mil milhões USD em 2025 para 230 mil milhões, de acordo com um relatório do Banco Africano de Exportações e Importações (Afreximbank), que reflecte uma perspectiva positiva para as trocas comerciais dentro do continente, ao contrário do que se verificará nas trocas para fora, onde os riscos pendem mais para o lado negativo.

A quota do comércio intra-africa no no comércio total do continente deverá atingir os 16%, mais 1 ponto percentual (pp) do que a média de 15% dos últimos anos, e a indústria transformadora e agro--alimentar deverão desempenhar um papel mais importante, representando 48% a 50% dos fluxos comerciais intra-africanos, um aumento face aos 46% de 2025, compensando uma desaceleração no comércio de mercadorias. Em termos globais, segundo o Afreximbank, o comércio africano continuará a expandir este ano, passando de 1,5 biliões USD para 1,6 biliões USD, mas aqui o "balanço de risco está inclinado para o lado ne gativo".

O relatório aponta o aumento das tensões geopolíticas no Médio Oriente e na Europa como factores que "podem prejudicar as perspectivas de crescimento de África", a par da intensificação da rivalidade comercial entre os EUA e a China e um abrandamento das economias de importantes parceiros, como a União Europeia e a China, cuja procura de commodities africanas poderá diminuir".

A preocupação com a segurança no Sahel e no Corno de África, que interrompe a produção e o comér cio e prejudica a estabilidade e o crescimento, é outro risco significativo para as perspectivas de crescimento apontado pelo relatório da Afreximbank, que projecta uma subida da participação do comércio no PIB africano para a faixa dos 50% este ano, favorecendo a redução das taxas de juro globais e domésticas iniciadas em 2025 e da elevada procura de minerais críticos e ouro, que atingiu um recorde histórico de cerca de 4.500 USD por onça em Dezembro de 2025.

Oportunidade decisiva

No relatório, intitulado "Perspec tivas Económicas e Comerciais de África 2026 - Subindo na escala: Capturar mais valor das commodities africanas", o Banco Africa no de Exportações e Importações conclui que o actual contexto "apresenta uma oportunidade decisiva para impulsionar a integração económica e reduzir a vul nerabilidade a choques exter nos". Muitos países africanos já perceberam isso e desenvolveram "estratégias de desvincula ção", incluindo o "aumento do comércio intra-africano e a adição de valor local", procurando adoptar medidas de estabilização macroeconómica e esforços de sustentabilidade da dívida.

A subida projectada para o comércio intra-continental "sina liza uma integração mais pro funda, mesmo com a desaceleração do crescimento do comércio global em 2026", e é impulsionada por uma aceleração na implementação da AfCFTA graças a reformas, como a adopção do Sistema Pan-Africano de Pagamentos e Liquidações (PAPSS), que deverá reduzir os custos cambiais em 20% a 30%, e a eliminação gradual das barreiras não tarifárias ao longo dos principais corredores comerciais.

Apesar dos esforços de África para diversificar os seus parceiros comerciais, a economia do continente "continua exposta à volatilidade dos preços das commodities, devido à dependência da região em relação a este tipo de exportações". O grau desta dependência varia de região para região. As exportações de produtos manufacturados tendem a concentrar-se em alguns países (África do Sul, Egipto e Marrocos) e em sectores específicos, como os metais básicos, os produtos químicos, os produtos alimentares e os veículos automóveis, representando cerca de 60% no Norte de África, menos de 30% noutras sub-regiões e cerca de 8% na África Ocidental, respectivamente. A

África Ocidental e a Central, onde se inclui Angola, "registam elevadas concentrações de exportações, dominadas pelo petróleo bruto, produtos agrícolas não transformados e outras exportações minerais", sendo as regiões mais vulneráveis, com valores de exportação relativamente moderados. Já África Oriental, "embora exporte menos em valor, apresenta uma diversificação maior, reflectindo a variedade agrícola e um setor emergente de fabrico ligeiro"...

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