Marrocos ultrapassa África do Sul e torna-se o mais industrializado
"Os desafios políticos e institucionais a nível nacional e regional, os elevados níveis de informalidade e a concentração da produção em actividades de baixo valor acrescentado" continuam a ser obstáculos à industrialização do continente e mostram que o discurso político ainda não tem tradução na realidade.
Marrocos ultrapassou África do Sul, pela primeira vez, e tornou-se a economia mais industrializada no Índice de Industrialização Africana 2025 do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), ranking que fornece um retrato abrangente do desenvolvimento industrial dos 54 países do continente, ao avaliar o seu nível de industrialização, numa escala que vai de 0 (o pior) a 1 (o melhor).
África do Sul, que ocupava o primeiro lugar desde 2010, passa para segundo (com 0,8396 pontos) e é o único país da África Subsariana a competir com os países do Norte de África nos primeiros cinco lugares (ver infografia). Esta mudança reflete o "declínio progressivo do país em todos os principais indicadores-chave de desempenho", enquanto Marrocos (com uma pontuação de 0,8415) "colhe agora os frutos do seu progresso constante e sustentado".
Com uma base industrial altamente diversificada, a indústria marroquina assenta em quatro motores: indústria automotiva, mineração e fertilizantes, aeroespacial e agroindústria e pescas. O Egipto ficou em terceiro lugar, seguido pela Tunísia e Maurícias.
O índice do BAD, realizado em colaboração com a União Africana (UA) e a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI), baseia-se em 19 indicadores numa estrutura multidimensional, que combina três componentes: medidas de desempenho industrial, como as exportações manufacturadas per capita, o valor acrescentado da indústria transformadora em percentagem do PIB, o emprego na indústria transformadora e a quota de indústrias de média e alta tecnologia; determinantes directos, que incluem a formação bruta de capital fixo do sector privado em percentagem do PIB, o desenvolvimento de infraestruturas e o stock de investimento directo estrangeiro; e determinantes indirectos, como a dimensão do mercado medida pelo PIB, o ambiente de negócios, a segurança e o Estado de direito.
Estes indicadores refletem o contexto económico, as condições do sector privado e o ambiente de governação que moldam o desenvolvimento industrial dos 54 países, que são distribuídos por cinco escalões no ranking, onde Angola surge na 29.ª posição, no grupo de ...










