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BFA e BPC actualizam preçários e elevam comissões aos seus clientes

APÓS QUEDA DOS LICROS NO I TRIMESTRE

Enquanto o BPC limitou as alterações às comissões de manutenção de contas para empresas, o BFA foi o banco que mais mexeu no preçário, agravando vários encargos cobrados aos clientes particulares.

O Banco de Fomento Angola (BFA) e o Banco de Poupança e Crédito (BPC) procederam a alterações nos preçários, agravando o custo das comissões cobradas aos clientes, segundo cálculos do Expansão com base nos preçários disponibilizados pelas instituições bancárias. No caso do BPC, a principal alteração identificada foi apenas o aumento da comissão de manutenção de conta para empresas, que passou a custar 2.500 Kz por mês. O banco, contudo, não especificou qual era o valor anteriormente praticado. Já o BFA apresentou o maior número de revisões no novo preçário, publicado em Abril, quando comparado com o preçário divulgado em Janeiro, com destaque para os custos de manutenção de conta, encargos associados aos cartões de débito e pré-pagos, bem como nas transferências interbancárias.

A manutenção de conta com gestor dedicado no BFA registou aumentos em todas as categorias de clientes particulares: na categoria Upper Mass, a comissão subiu 20%, passando para 1.500 Kz mensais, enquanto na categoria Affluent, o valor aumentou de 1.500 Kz para 2.500 Kz por mês e na categoria Priva te a comissão passou para 6.000 Kz mensais, representando igualmente uma subida de 20%. O banco continua, no entanto, a isentar de manutenção as contas com domiciliação de salário. Quanto à comissão de inactividade de conta para particulares, o BFA passou a cobrar 3.500 Kz trimestrais, quando anteriormente o valor era de 2.000 Kz.

Entre as alterações mais expressivas destaca-se ainda o fornecimento de extractos ao balcão, cujo custo passou de 2.000 Kz para 5.000 Kz, mais do que duplicando. Já a impressão de saldo no balcão subiu de 150 Kz para 500 Kz, um agravamento de 233%.

Relativamente aos cartões de débito, vulgarmente conhecidos como cartões Multicaixa, o BFA manteve a anuidade em 3.500 Kz. Contudo, aumentou o custo de cancelamento do cartão de 3.500 Kz para 5.000 Kz, o que significa que os clientes passam agora a pagar mais 1.500 Kz para cancelar o serviço. Nos cartões pré-pagos Kandandu VISA, a anuidade subiu de 2.500 Kz para 3.000 Kz, um aumento de 16%. Os aumentos das comissões surgem numa altura em que o BFA viu os lucros caírem 10%, para 58,0 mil milhões Kz no I tri mestre, face aos 64,4 mil milhões Kz registados no período homó logo, uma redução de 6,3 mil mi lhões Kz.

Já o BPC registou resul tados líquidos de 10 mil milhões Kz, menos 3 mil milhões face ao período homólogo, o que repre senta uma quebra de 25,7%. No entanto, as comissões con tinuam a ganhar peso nas recei tas da banca. Em 2025, o BFA ar recadou 53,6 mil milhões Kz em prestação de serviços, mais 9% face ao período anterior, impul sionado sobretudo pelas comis sões sobre ATM e TPA (41%) e cartões bancários (11%). Descontados os encargos de presta ção de serviços, o banco liderado por Luís Gonçalves obteve um resultado líquido de 24,4 mil mi lhões Kz nesta rubrica.

O BPC por sua, vez obteve resultados comissões de 10 mil milhões Kz, menos 3 mil milhões em relação ao período homólogo. O Expansão questionou as duas instituições bancárias so bre as razões para o aumento das comissões, mas até ao fecho des ta edição não obteve qualquer resposta. Para o presidente da Associação Angolana de Defesa do Consumidor de Serviços e Produtos Bancários (ACONS BANC), Nelson Prata, as comissões bancárias continuam a ser vistas pelos clientes como pouco transparentes e, em muitos casos, desproporcionais face à qualidade do serviço prestado.

"Os aumentos observados parecem excessivos em alguns ca sos", afirmou uma fonte ligada ao sector financeiro.

O especialista entende que, num contexto económico particularmente difícil, marcado pela perda contínua do poder de compra das famílias, o aumento das comissões bancárias agrava ainda mais os encargos suportados pelos clientes. Apesar disso, reconhece que Angola continua a enfrentar limitações significativas em matéria de inclusão financeira e digital.

"Muitos dos clientes afectados pelos aumentos são idosos, residentes em zonas periféricas ou pessoas sem domínio tecnológico, o que os torna dependentes do atendimento pre sencial", refere a mesma fonte.

Segundo Nelson Prata, a estratégia adoptada pelos bancos têm vindo a transformar o acesso aos serviços financeiros num custo cada vez mais pesado para grande parte da população. "Está cada vez mais caro termos acesso ao nosso próprio dinhei ro", conclui.

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