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Directora-geral da OMC assume que as mudanças no sistema multilateral vieram para ficar

Ngozi Okonjo-Iweala

"A ordem mundial e o sistema multilateral que conhecíamos mudaram irrevogavelmente. Não vamos recuperá-los. Temos de olhar para o futuro", afirmou ontem Ngozi Okonjo-Iweala, a economista nigeriana que é a actual directora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), durante a abertura formal da 14ª Conferência Ministerial (MC14), que decorre em Yaoundé, capital de Camarões, entre 26 e 29 de Março.

A conferência ministerial é um dos principais eventos da OMC, que reúne 166 países, e acontece pela segunda vez em África, sendo que a delegação angolana, que inclui técnicos do sector do comércio e pescas, é chefiada por Rui Miguêns, Ministro da Indústria e Comércio.

Nos últimos anos, o funcionamento da OMC tem sido marcado por disputas profundas, que envolvem uma mudança na actuação de países fundadores da organização (e que mais se beneficiaram com as regras comerciais ali negociadas), como os EUA, e o surgimento de novas potências globais, como a China, que aproveitaram as regras em vigor para expandir as suas economias e as relações comerciais.

Neste contexto, os países menos desenvolvidos, classificação que ainda inclui Angola e vários países africanos e de outras regiões, procuram actuar em bloco, como estratégia para manter relevância política e garantir acesso aos principais mercados internacionais.

Ainda que as mensagens oficiais sejam de esperança e de mobilização rumo a um futuro promissor, nos corredores a tensão é visível e o receio de esvaziamento e desmobilização da OMC é real.

Vários diplomatas e representantes comerciais alertaram ontem que, sem um acordo ou um caminho comum sobre a reforma da OMC, os diferentes blocos (como a União Europeia, por exemplo) e países poderiam começar a abandonar o sistema de comércio global baseado em regras e estabelecer as suas próprias regulamentações e parcerias negociadas de forma bilateral.

O encontro em Yaoundé também tem sido marcado pelas preocupações decorrentes da guerra entre os EUA e Israel contra o Irão (os conflitos travam as economias e limitam o investimento), e segue-se a anos de impasse nas negociações comerciais multilaterais, tensões geopolíticas em crescendo e novas tarifas impostas pelos EUA a seu bel-prazer.

Okonjo-Iweala afirmou que os problemas da organização precisam de ser resolvidos e que o modelo tradicional da OMC, baseado no consenso, onde cada país representa um voto, tem sido bloqueado.

Outra questão referida pela directora-geral da OMC está relacionada com os subsídios, tema que há muito divide os países mais desenvolvidos, que subsidiam de forma pesada o sector agrícola, por exemplo, e os menos desenvolvidos, que acusam as economias avançadas de bloquear o seu processo de industrialização.

"A falta de transparência leva à falta de confiança, e isso gera suspeitas de injustiça e comportamentos anticompetitivos", reconheceu Okonjo-Iweala em Yaoundé.

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