Regulador alemão "suspende temporariamente" Nord Stream 2, e preço do gás dispara na Europa
O regulador de energia da Alemanha anunciou a "suspensão temporária" Nord Stream 2 e adiou a certificação do gasoduto. Os preços do gás na Europa e ainda mais no Reino Unido dispararam
A questão por agora parecer ser burocrática. Os regulador alemão de energia disse que não poderia aprovar o projecto da empresa russa Gazprom porque os seus proprietários, no caso, e maioritariamente, o Estado, optaram por criar uma filial na Alemanha que não está devidamente configurada com a lei alemã.
Esta suspensão chega num momento crítico para o fornecimento de gás europeu, com os preços a dispararem em todos os países.
A Gazprom foi acusada por alguns países de restringir as exportações para a Europa Ocidental para aumentar a pressão sobre a Alemanha e acelerar a aprovação do projeto.
Os contratos de gás do Reino Unido para entrega em Dezembro subiram 17,2%, falamos de 2,40 libras por megawartt-hora e os preços de referência no mercado europeu revelaram a mesma tendência com uma subida de 15,2% estando agora nos 94 euros por megawatt-hora.
O preço do gás, e depois de subidas recordes, estava a caiu ligeiramente em Outubro, em parte devido às promessas do Kremlin de um aumento do fornecimento do gás à Europa Ocidental de cerca de 40%.
O projeto Nord Stream 2, com sede na Suíça, está a criar uma subsidiária alemã para gestão da secção alemã do gasoduto em resposta aos regulamentos e imposições da União Europeia (UE), que exigem que as empresas que produzem, transportam e distribuem gás dentro do bloco europeu sejam entidades separadas.
O pedido para a isenção das regras comunitárias foi rejeitado pelos tribunais alemães em Agosto. E a Gazprom decidiu então realizar agir de acordo com as regras e os regulamentos aplicáveis no bloco dos países da UE. Mas os reguladores alemães deram-se conta que é necessário que activos relevantes e funcionários sejam efectivamente transferidos para a empresa alemã. O expediente por incompleto foi tido como uma forma de contornar as regras impostas por Bruxelas e não da criação efectiva de uma empresa.
Entretanto, as autoridades comunitárias disseram que assim que as autoridades alemãs concluíssem o processo de certificação, o projecto poderia ser submetido à Comissão Europeia. Bruxelas tem dois meses para avaliar o certificado.
O Nord Stream 2 tem sido um projecto cheio de entraves logo à partida, desde a forte oposição dos Estados Unidos e da Ucrânia até, e mais recentemente, a Polónia, que diz que o gasoduto é uma ameaça à segurança energética europeia, que ficaria assim nas mãos dos russos.
O gasoduto pode fazer chegar ao Ocidente cerca de 55 mil milhões de metros cúbicos de gás por ano através do Mar Báltico e permitir à Gazprom chegar a clientes na Alemanha e a noutros países europeus sem usar gasodutos ucranianos.
Autoridades em Kiev alertaram que a Rússia está na verdade a chantagear a Europa ao restringir o fornecimento de gás, e que a dependência do gás de Moscovo por parte dos europeus facilitaria uma invasão ainda mais efectiva e profunda da Ucrânia por parte dos russos.
Pawel Majewski, presidente-executivo da PGNiG, empresa estatal de gás da Polónia, saudou naturalmente a decisão alemã, que considerou um "bom sinal para a Polónia e para a Europa".
O Presidente Vladimir Putin vinculou reiteradamente o aumento das exportações à aprovação do Nord Stream 2. Qualquer atraso aumentará os receios de um corte no fornecimento de gás numa altura particularmente sensível do Inverno europeu.
"Qualquer esperança remanescente de que este gasoduto estaria disponível para o Inverno foi completamente destruída", disse James Waddell da Energy Aspects, uma consultora do sector em declarações ao Financial Times. "Cada vez mais, parece que não acontecerá antes do segundo semestre do ano que vem", acrescentou Waddell.
E mais do que certo que o Kremlin se recusa a fornecer gás à Europa Ocidental através da Ucrânia, ou o faz através do Nord Stream 2 ou não haverá aumento das exportações de gás da Rússia.