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Opinião

A desinflação até Dezembro de 2025:Um teste à economia angolana

CHANCELA DO CINVESTEC

A inflação em Angola encerrou 2025 em clara trajectória descendente, depois de iniciar o ano em níveis próximos de 26%, a taxa homóloga terminou Dezembro em torno de 15,7%, se gundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísti ca (INE), mas ainda num nível elevado para os padrões de estabilidade macroeconómica. À primeira vista, trata-se de um resultado positivo.

Uma redução de mais de 10 pontos percen tuais num único ano sugere que a política económica conseguiu, finalmente, travar a espiral inflacionária que se agravou em 2023 e 2024. Mas uma leitura mais atenta levanta uma questão essencial: estamos perante uma vitória estrutural contra a inflação ou apenas perante uma desaceleração conjuntural do crescimento dos preços?

A inflação mensal em 2024 começa por ser elevada e crescente, passando de 2,49%, em Janeiro, para 2,61%, em Abril. A partir des se ponto, assiste-se a uma queda marcada da inflação mensal, que em Julho de 2024 atinge o nível de Julho de 2023 e, de seguida, se mantém estável. No começo de 2025, a linha volta a cair quase continuamente (observe-se a quase coincidência dos valores mensais com a tendência) de 1,67% para 0,95%. A anomalia de Julho ficou a dever-se ao efeito da subida do gasóleo (a 24 de Março, uma variação do mesmo valor absoluto não produziu qualquer efeito), que teve um efeito apenas nesse mês, regressando-se imediatamente à trajectória descendente que se vinha verificando. No 1.º Trimestre de 2026 a inflação continua a descer até 0,52% em Fevereiro, mas apresenta sinais de estabilizar, com uma ligeira subida em Março para 0,55%.

A inflação mensal média do último trimestre do ano (0,91%) representa um valor anualizado de 11,5%, um dos mais baixos de sempre, e que, a verificar-se em 2026, se situaria 2.2 pp abaixo da estimativa do OGE26 para a inflação homóloga em Dezembro deste ano. Caso se mantivesse a média do 1.º Trimestre de 2026 ou a esta bilização próxima da inflação de Março (0,55%), a inflação anual em 2026 seria de cerca de 7%, uma inflação de um dígito, como há muito não experimentamos.

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