Preços dos materiais de construção abrandam pelo sétimo mês consecutivo
Apesar da desaceleração, os preços dos materiais de construção registam aumentos de preços de forma continuada e os especialistas defendem maior fiscalização e incentivo à produção local por forma a colmatar o actual défice habitacional no País.
Os preços dos materiais de construção estão a abrandar pelo sexto mês consecutivo em termos homólogos, com o Índice dos Preços dos Materiais de Construç Gravar e Fechar ão (IPMC) a manter-se em 7% nos meses de Maio e Junho, tratando- -se da taxa mais baixa desde que o Instituto Nacional de Estatística de Angola (INE) deu início à publicação dos boletins, em 2020.
Desde Dezembro do ano passado que teve início o abrandamento, quando a inflação homóloga era de 12%, até Junho deste ano, verificou-se uma desaceleração de 5 pontos percentuais (pp). Ainda assim, face a Junho do ano passado, os preços dos materiais de construção cresceram 7%. Ou seja, durante este período os preços continuaram a subir, mas a um ritmo inferior. Já em termos mensais, os preços aumentaram 0,3 pp para 0,6%, sendo a variação mensal de Junho a mais alta desde Janeiro deste ano, contrariando a tendência de abrandamento que vinha desde Agosto do ano passado, pese embora tenha havido um aumento na ordem dos 8% em Novembro.
As maiores variações homólogas foram registadas em betão pronto, com 11,49%, tijolos, com 11,10%, alumínio, com 9,85% e aço, com 8,70%. A classe dos blocos teve uma variação de 8,04%. A areia teve aumentos na ordem dos 7,51%, outros produtos sintéticos registou uma variação de 6,30%, vidros e artigos de vidro teve aumento de 6,21% ao passo que as tubagens e acessórios de plástico tiveram uma variação de 6,10%.
Um dado curioso é que a forte subida dos preços do saco de cimento, no final de 2025, e a forte descida a partir de Fevereiro não se fizeram sentir no IPMC publicado mensalmente pelo INE. Isto apesar de este material de construção valer 26,86% do índice, pelo que qualquer oscilação no preço deveria obrigatoriamente fazer-se sentir nos resultados publicados mensalmente. Como não existem informações sobre a forma e os locais de recolha de dados, torna-se difícil fazer qualquer análise.
Entre Setembro do ano passado e Fevereiro deste ano deste os preços no mercado informal passaram de 5.000 Kz para cerca de 10.000 Kz, mas olhando para o índice publicado pelo INE, neste período, calculando a variação dos índices entre os respectivos meses, apenas dá um crescimento de 2,1%. E também esta forte baixa de preços para os 7.000 Kz não se reflecte nos resultados do índice, já que este aponta para um crescimento em 0,1% nesse período.
Dúvidas em relação ao INE
Este e outros factos têm levado a que muitos especialistas questionem as metodologias usadas pelo INE na obtenção dos preços, colocando inclusive em causa a veracidade de algumas informações do instituto.
A verdade é que os preços dos materiais de construção são reféns do quadro macroeconómico do País, caracterizado por uma instabilidade, devido a questões estruturais como a dependência externa de bens e serviços e pela volatilidade do Kwanza. Por isso alguns especialistas defendem, por exemplo, a diminuição do IVA para uma cesta básica dos materiais de construção e um forte investimento na produção local desses materiais.
Em relação à produção interna, um grande passo foi dado recentemente por um grupo económico chinês que vai investir 80 milhões USD no Icolo e Bengo (Bom Jesus) num parque industrial de iniciativa privada, onde já foram instaladas cinco unidades industriais para a produção de materiais de construção, destacando- se a produção de cabos e fios eléctricos, placas de poliestireno extrudido (XPS) e painéis sanduíche isolantes, pedra natural, produtos de madeira e condutas de ventilação em chapa galvanizada.
Para o sócio gerente da Proimóveis, Cleber Corrêa, uma das razões para a desaceleração dos preços dos materiais de construção, em termos homólogos, tem que ver com a estabilidade cambial que se verifica nos últimos meses e também o pouco consumo por parte da população devido ao fraco poder de compra.
Segundo o responsável de uma das principais promotoras imobiliárias do País, em termos mensais, a subida de 0,3 pp registada entre Maio e Junho pode estar associada à subida do gasóleo. Embora seja um aumento de apenas 5% (20 Kz), interfere nos preços. Além disso, os preços sempre acompanham a oscilação do câmbio e este teve também uma variação nesse período.
Já Carlos Cardoso, presidente da Associação das Indústrias de Materiais de Construção de Angola (AIMCA) entende que os materiais de construção, por serem vitais para a construção civil e a concretização do sonho da casa própria deveriam merecer maior atenção das autoridades, beneficiando, por exemplo, de incentivos fiscais para a produção local e redução de taxas aduaneiras para os importadores num País onde existe um défice habitacional de 3,3 milhões de casas. "Essa desaceleração é apenas em termos estatísticos, porque na verdade os preços sobem quase todos os dias e parece que o Governo não consegue controlá-los, o que prejudica sobretudo as famílias que enfrentam um custo de vida elevado e uma perda drástica do poder de compra", disse.











