A três meses do fim das aulas, bolseiros internos continuam sem subsídios
A persistência dos atrasos no pagamento de bolsas volta a expor fragilidades estruturais do sistema gerido pelo INAGBE, num padrão que se repete ano após ano e que mina a credibilidade de um mecanismo central para o acesso ao ensino superior.
Apesar das garantias institucionais de normalização, o desfasamento entre o discurso oficial e a realidade vivida pelos estudantes mantém-se como um dos principais problemas do sector. Os atrasos nos subsídios aos bolseiros internos voltam a marcar o calendário académico, numa altura em que faltam apenas três meses para o fim das aulas.
O cenário não é novo: repete--se, com pequenas variações, todos os anos lectivos recentes, incluindo 2024/2025, demons trando que as reformas introduzidas - digitalização de processos, pagamento directo de propinas às instituições e maior foco no mérito - não conseguiram eliminar os constrangimentos operacionais.
Na prática, o problema deixou de ser conjuntural para assumir contornos estruturais. A incapacidade de cumprir prazos de pagamento, de forma recorrente, fragiliza a confiança no sistema e compromete o próprio objectivo das bolsas: garantir condições mínimas de frequência universitária. Para muitos estudantes, os subsídios não são um complemento, mas a base de sobrevivência académica - cobrindo transporte, alimentação e propinas.
Do lado institucional, o argumento mantém-se consistente. O INAGBE assegura que os paga mentos estão a ser processados para universidades que cumpri ram com todos os requisitos administrativos exigidos pelo INAGBE, de fora estão a Universidade Gregório Semedo (UGS) e o Instituto Superior Politécnico Lusíada, da Lunda-Sul, por incumprimento.
Existem reclamações de que "uns são filhos e outros entea dos", como relatam, em anónimo, estudantes agastados com o processo: "Há "boatos" de que umas universidades estão a receber os subsídios e nós não. É sempre assim!", desabafou.
"Até o momento, a nossa faculdade não foi priorizada no processamento dos subsídios. Entendemos que estejam procedendo ao pagamento por fases, mas até agora, nem os antigos, nem os novos estudantes estão a ser beneficiados e como consequência, alguns estudantes não conseguem dar continuidade aos estudos porque dependem totalmente deste financiamento. Eu, pelo menos, faço alguns trabalhos temporários que servem para pagar as propinas, mas tenho algumas dúvidas sobre o reembolso deste valor, visto que o INAGBE é que deveria proceder ao pagamento das propinas às universidades", esclareceu Adérito Pululu, estudante de Contabilidade e Administração e coordenador do departamento dos assuntos académicos da associação dos estudantes da faculdade de economia da Universidade Agostinho Neto.











