Sonangol concedeu perto de 4 mil bolsas de estudo em cinco anos e meio
São quadros formados em áreas em que o País regista carências, como as Engenharias e Geociências. Muitos estudaram em instituições de prestígio reconhecidas internacionalmente, mesmo assim não têm garantias de integração nos quadros da petrolífera nacional.
A Sonangol concedeu 3.734 bolsas de estudo, nos últimos cinco anos e meio, para formar quadros em engenharia e tecnologias, ciências sociais aplicadas e geociências, mas desde 2014 a petrolífera nacional não garante trabalho após a formação, apurou o Expansão junto de antigos bolseiros.
Os números das bolsas têm por base os relatórios anuais de contas dos últimos cinco anos e o relatório de gestão do primeiro semestre de 2025 Há mais de 10 anos que a Sonangol não garante postos de trabalho aos estudantes bolseiros, nem mesmo aos que tiveram a formação em instituições europeias, americanas e asiáticas de reconhecido prestígio. Um dos antigos bolseiros, que fez a formação no Brasil, revelou ao Expansão, sob anonimato, que já na altura em que estudou, em 2014, não havia garantia de integração nos quadros da empresa.
"Antes de sair do País para estudar no exterior já sabíamos que não havia garantia de trabalho. Fomos estudar e, depois da formação, alguns voltaram, como foi o meu caso. Outros preferiram ficar no País onde estudaram. Para mim, o maior problema não é o emprego, foi a expectativa que criei sobre o salário que ganharia no País, levando em conta a minha capacitação e a área de formação", revelou o antigo bolseiro formado em engenharia cartográfica, que enfrentou a oposição da família e amigos no seu regresso em 2020, devido à onda de emigração no País.
Outros relatos referem que alguns bolseiros são aconselhados a aguardar por um posto de trabalho na petrolífera ou noutra empresa do grupo.
No entanto, muitos preferem regressar ao País onde fizeram a formação ou procurar trabalho por conta própria, que tende a ser um processo difícil.
O número de bolsas de estudo da petrolífera nacional, disponibilizados nos relatórios anuais de contas e nos relatórios de gestão, desde o ano de 2020 até ao primeiro semestre de 2025, indicam que o maior apoio social para formação académica foi destinado aos estudantes internos, através do Instituto Superior Politécnico de Tecnologias e Ciências (ISPTEC), com 1.933 bolsas, enquanto que para o exterior foram disponibilizadas 1.801 bolsas, para estudar em diversos países da Europa e do continente americano, essencialmente. Por ano, 2020 foi o que teve maior número de bolsas atribuídas (755), seguindo-se 2024 (729). É de sublinhar que só nos primeiros seis meses deste ano foram atribuídas mais bolsas (735) do que em todo o ano passado (ver gráfico).
No I semestre deste ano, o curso de Ciências Sociais e Humanas, com 258 bolseiros, o que corresponde a 35% do total, foi o que absorveu o maior número de bolsas, seguindo-se Ciências Económicas, com 241 alunos (33%), Ciências da Saúde com 174 (24%) e, finalmente, Engenharia e Geociências com 62 bolseiros (8%).
Edição 854 do Expansão, sexta-feira, dia 28 de Novembro de 2025










