Personalidades angolanas juntam-se à mesa para falar de vinhos portugueses
Grandes nomes da sociedade angolana participaram nesta primeira edição e são membros do Clube Vinhos de Portugal, tais como Pedro Nzagi, Ernesto Bartolomeu, Sérgio Rodrigues, José Guerreiro, Helt Araújo e Kumuênho da Rosa. As entradas chegaram acompanhadas de um Vértice Cuvée (Douro Espumante Reserva branco).
Os pratos de peixe foram apurados por um Muros de Melgaço (Vinho Verde Alvarinho branco) e por um Quinta de Pinhanços Altitude (Dão branco). O segundo prato, que variou entre a vitela e o peito de frango, foi servido com um Duorum Old Vines (Douro Reserva tinto) e por um Esporão Private Selection (Alentejo Garrafeira tinto). A sobremesa fechou com um Porto Vintage, Quinta do Vale Meão. Tudo confeccionado pela chef Fátima Gouveia.
O Expansão quis saber mais sobre este Clube de Vinhos e esteve à conversa com Luís Lopes, director da Revista de Vinhos.
Como surgiu a ideia de fazer o Clube de Vinhos de Portugal em Angola?
A ideia do Clube Vinhos de Portugal é estimular o nascimento em Angola de um grupo de profundos conhecedores de vinho, pessoas que possam no futuro transmitir esses conhecimentos aos seus amigos e às pessoas com quem interagem.
Qual o objectivo destes encontros?
O principal objectivo visa dar a conhecer a cultura do vinho de Portugal a um conjunto de personalidades que são, ao mesmo tempo, líderes de opinião. Não se trata de uma acção de formação, pelo menos no seu conceito mais conservador, vai ser antes uma partilha descontraída de conhecimentos, feita à mesa, e em torno de alguns dos melhores vinhos portugueses.
O próximo jantar do clube realiza-se já neste mês de Maio. Onde será e quem é o chef convidado?
O local da próxima edição está a ser escolhido e vai ser revelado brevemente. Claro que, como na primeira edição, haverá uma preocupação em adequar os vinhos à ementa. Esse trabalho é sempre feito por mim e pelo chef do restaurante, em conjunto.
É um clube privado? Como podem fazer os amantes de vinho para participarem nestes eventos? É apenas por convite, ou podem inscrever-se?
Os jantares com os membros do clube são privados, mas a paixão pelos vinhos não se presta a exclusividades. É algo que é transversal a quem participa, ou não, nestes eventos, por isso temos preparadas outras acções ao longo do ano dirigidas ao grande público. Entretanto, os membros do clube vão ser quase como uma espécie de embaixadores junto do consumidor final.
Qual a região de Portugal, em termos de vinhos, que os angolanos mais apreciam e porquê?
Os vinhos portugueses mais vendidos em Angola são os do Alentejo. O que, aliás, corresponde igualmente ao perfil de consumo em Portugal, onde o Alentejo é a região mais vendida, com cerca de 45% do total. Mas entre os vinhos de qualidade mais vendidos em Angola existem casos de sucesso de outras regiões, como acontece com o JP, uma marca líder da península de Setúbal. Penso que a atracção de angolanos e portugueses pelos vinhos do Alentejo tem que ver sobretudo com as suas características, são vinhos encorpados, intensos mas suaves, muito fáceis de beber e de gostar.
Quanto é que Angola importa em termos de vinhos?
Só poderei falar pelos vinhos portugueses e, mesmo assim, não tenho os números finais de 2014. Mas poderei dizer que, em termos de vinhos engarrafados, Angola importa cerca de 30 milhões de litros. Se juntarmos os vinhos importados de Portugal a granel e engarrafados em Angola, ultrapassaremos os 50 milhões de litros.
Quais são os países produtores que mais são consumidos em Angola?
Infelizmente, não existem estatísticas muito precisas sobre o consumo de vinho no mercado angolano. Mas eu diria que os vinhos portugueses representam cerca de 80% do mercado, seguidos dos vinhos da África do Sul. Chile, Argentina, Itália ou França representam muito pouco.
Os preços do vinho em Angola e em Portugal são muito diferentes?
Sim, são bastante diferentes, mas isso tem que ver com vários factores: custos de transporte, taxas e impostos e, naturalmente, as margens que os importadores e distribuidores colocam sobre os seus custos fixos e variáveis.
Irão convidar apreciadores angolanos de vinho para visitarem Portugal. Onde serão essas visitas?
Este clube vai reunir periodicamente em Luanda, quatro ou cinco vezes por ano, e anualmente os seus membros serão convidados a visitar Portugal e conhecer localmente o que de melhor o País tem para oferecer em termos de vinho, gastronomia, enoturismo e lifestyle. Iremos por isso visitar diversos locais e regiões.
E vão levar enólogos ou outros peritos portugueses a Angola para participarem nestes jantares?
Iremos ter alguns convidados especiais nos encontros do Clube Vinhos de Portugal, mas o clube é apenas uma das muitas acções que iremos desenvolver em Angola e que irão envolver enólogos, produtores e consumidores. Angola é um país com uma identidade muito própria e uma relação especial com o vinho. Não podemos esquecer que, fora de Portugal, Angola é o país do mundo que mais aprecia os vinhos lusos. Portanto, o prazer de beber um vinho português de qualidade já existe. A ideia do clube é contribuir para associar o conhecimento e a cultura do vinho a esse prazer de beber um bom vinho português.
















