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Economia

Clientes fazem mais consultas do que transacções: em cada 100 operações 48 são consultas

CONSULTAS CRESCERAM 37% NO PRIMEIRO TRIMESTRE

Utilizadores recorrem com frequência aos ATM e às aplicações móveis para consultar saldos e movimentos, sobretudo antes do pagamento de salários. Este comportamento reflecte não só a necessidade de controlo da liquidez, mas também a sua escassez, levando muitas famílias a verificar repetidamente se o salário já foi pago.

O número de consultas na rede Multicaixa aumentou 37% no primeiro trimestre do ano, face ao período homólogo, atingindo 447,5 milhões de operações. Este volume representa 48% do total de transacções registadas na rede, o que significa que em cada 100 operações na rede multicaixa 48 são consultas, ou seja, uma em cada duas operações continua a ser apenas de consulta, sem movimentação efectiva de dinheiro.

A grande parte destas operações está concentrada na consulta de saldos da conta, que totalizou 320,9 milhões de registos, equivalentes a 69% do total de consultas. Seguem--se as consultas de movimentos de conta, com 30%, enquanto operações como consulta de levantamento sem cartão representam 0,6%. Já as consultas de IBAN e pedidos de segunda via de talão têm expressão residual (0,4%).

E isto confirma uma tendência já observada no sistema de pagamentos nacional, já que o utilizador continua fortemente orientado para o controlo frequente do saldo, sobretudo em períodos de pagamento de salários, o que, na prática, implica uma elevada sensibilidade à gestão de liquidez, mas também a sua escassez, levando muitas famílias a verificar repetidamente se o salário já foi pago.

Apesar da crescente digitalização da rede, que integra ATM, TPA, Multicaixa Express e internet banking, as consultas continuam a ter um peso elevado, embora menor relevância económica directa. Além das consultas, que continuam a liderar a utilização da rede com 48% do total das operações por finalidade, destacam--se as compras, que representam 19%.

Seguem-se os pagamentos, com 12%, e as transferências, com 11%, evidenciando o peso crescente das transacções digitais no sistema. Os levantamentos correspondem a 7% das operações, enquanto as restantes actividades, enquadradas na categoria de outras operações, representam 3% do total.

Levantamento sem cartão cresce e já pesa 21% em valor

Em paralelo, os levantamentos sem cartão continuam a ganhar expressão na rede. Nos primeiros três meses do ano, este tipo de operação cresceu 45%, representando já cerca de 30% do total de levantamentos efectuados. Só para se ter uma ideia, em termos de montantes, foram movimentados 288,3 mil milhões Kz através de 20,6 milhões de operações, o equivalente a 21% do total de levantamentos na rede.

O levantamento sem cartão, disponibilizado pela rede Multicaixa, permite a realização de levantamentos em caixas automáticas sem necessidade de cartão físico, sendo utilizada tanto por clientes bancarizados como não bancarizados. Na prática, o levantamento sem cartão tem vindo a assumir um papel cada vez mais relevante como instrumento de transferência informal de liquidez entre particulares, sobretudo em contextos familiares.

Este canal é frequentemente utilizado para envio de dinheiro a menores ou a pessoas sem conta bancária, funcionando como alternativa a transferências inter bancárias, que podem demorar até um dia útil.

Assim, este comportamento revela não apenas a procura por maior facilidade, mas também limitações operacionais ainda existentes no sistema de pagamentos, nomeadamente no tempo de processamento entre bancos e a elevada informalidade da economia.

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