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Unitel expõe vulnerabilidade digital e abre mercado aos seguros cibernéticos

PREVENIR ATAQUES INFORMÁTICOS

O ataque à maior operadora nacional mostrou que nenhuma empresa está imune aos riscos informáticos e acelerou o debate sobre um novo ramo segurador que dependerá do resseguro internacional para cobrir grandes sinistros. O seguro cibernético já é uma prática comum em outros países.

O ataque informático que afectou a UNITEL na semana passada trouxe para o centro do debate um risco que há muito deixou de ser apenas tecnológico para passar a ser também económico. Num país onde empresas, bancos, seguradoras, operadores de telecomunicações e organismos públicos dependem cada vez mais de plataformas digitais para desenvolver a sua actividade, uma interrupção dos sistemas pode traduzir-se em perdas de milhões de kwanzas, danos reputacionais, quebra de receitas e responsabilidades legais perante clientes.

O caso da maior operadora nacional foi apenas o episódio mais mediático de um problema que especialistas garantem ser muito mais frequente. Embora Angola não divulgue estatísticas oficiais sobre incidentes cibernéticos no sector privado, empresas ligadas às tecnologias de informação admitem que os ataques são hoje praticamente diários, variando entre tentativas de intrusão, ataques de negação de serviço, roubo de credenciais, fraude electrónica, malware e ransomware.

A realidade angolana acompanha uma tendência continental. África tornou-se uma das regiões mais pressionadas pelos cibercriminosos, com uma média superior a 3.100 ataques semanais por organização, bastante acima da média mundial.

Telecomunicações, banca, seguros, energia, organismos públicos e sistemas de pagamentos figuram entre os sectores mais visados, precisamente aqueles que concentram informação crítica e cuja interrupção provoca maiores impactos económicos. O problema é que a evolução tecnológica das empresas não foi acompanhada por um investimento equivalente em cibersegurança.

A digitalização acelerou, impulsionada pela banca digital, comércio electrónico, pagamentos electrónicos e serviços em nuvem, mas muitas organizações continuam a encarar a segurança informática como um custo e não como um investimento.

O resultado é uma maturidade relativamente baixa dos sistemas de protecção, agravada pela escassez de especialistas, pela utilização de equipamentos desactualizados e pela inexistência de planos de resposta a incidentes.

O seguro cibernético. Apesar de os ataques serem cada vez mais frequentes, este continua a ser um produto praticamente desconhecido no mercado nacional, tanto do lado das seguradoras como das empresas.

A ideia de transferir parte do risco financeiro para uma seguradora nunca ganhou expressão porque os incidentes raramente chegavam ao espaço público e muitas empresas preferiam resolver os problemas internamente para evitar danos reputacionais. Domingos Pinto, subscritor de seguros, explica que o seguro de risco cibernético cobre as responsabilidades decorrentes da violação de dados e representa "uma transferência de uma fatia definida da exposição da empresa à seguradora e resseguradora mediante o pagamento de um prémio".

Na prática, estas apólices podem financiar equipas especializadas para conter o ataque, recuperar sistemas, restaurar bases de dados, suportar despesas jurídicas, comunicação de crise, indemnizações por fuga de...

Leia o artigo integral na edição 888 do Expansão, sexta-feira, dia 07 de Agosto de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui

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