Nata financeira pede transparência para pôr a poupança de África a trabalhar
Luanda foi, durante dois dias, a capital financeira do continente. A Africa Financial Summit (AFIS) estreou-se na região Austral com cerca de 1.200 delegados, entre banqueiros, gestores de fundos de pensões, seguradoras e reguladores, que trouxeram para cima da mesa propostas para pôr as poupanças africanas a financiar as empresas e as economias.
África dispõe de poupanças acumuladas em fundos de pensões, de investimento e de outros tipos, para além de uma banca que apresenta lucros elevados, como foi demonstrado durante a cimeira AFIS - Africa Financial Summit, que aconteceu nos dias 3 e 4 de Novembro, em Luanda, mas estes recursos financeiros não estão a ser totalmente utilizados para desenvolver as empresas e as economias locais, sobretudo devido à falta de estabilidade política e de uma arquitectura que promova a transparência, o cumprimento das regras básicas de compliance e a boa governação.
"Hoje de manhã [quarta-feira, 4] estive a moderar uma mesa redonda onde se dizia que existem 4 biliões USD disponíveis em fundos de pensões em África. São 4 biliões USD que não são usados em África", disse ao Expansão Paulo Moreira, que lidera a consultora multinacional Forvis Mazars no mercado angolano.
Para o gestor, cimeiras como a AFIS, que chegou pela primeira vez à região Austral de África e reuniu cerca de 1.200 delegados, depois de duas edições realizadas em Marrocos, estão a ser utilizadas pelos principais gestores e líderes financeiros (bancos, seguradoras, fundos de pensões, reguladores, representantes do mercado de capitais de vários países africanos) para colocar propostas e novas ideias em cima da mesa. E para pressionar os governos a melhorar a sua forma de actuação.
"Eles estão a criar condições e a desenhar propostas que estão a obrigar, entre aspas, os Estados a criarem condições para aumentar a transparência, compliance e boa governação", sublinha Paulo Moreira, que acrescentou: "O propósito desta organização é criar condições para que os recursos financeiros existentes em África permaneçam em África".
O consultor recorda que a maioria dos projectos em África tem enormes dificuldades em obter financiamentos e que o problema começa logo pelas entidades e empresas públicas. "Vamos ver os resultados, são os que sabemos. Ao nível da gestão, é o que sabemos, e o mesmo acontece ao nível do compliance. As entidades [financiadoras] nunca vão pôr dinheiro em projectos com este tipo de falhas", segundo Paulo Moreira.
"Mas se foram criadas condições legais, de transparência, boa governação e de capacidade de gestão, ou seja, de talento, o investimento vem. Fica a faltar uma coisa, que é a capacidade de transferir dividendos", sublinhou o líder da Forvis Mazars em Angola.
Digitalização e serviços públicos
Se o acesso ao financiamento é um dos principais entraves ao desenvolvimento das empresas, criação de empregos e elevação dos níveis de vida no seio de muitas famílias africanas...










