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Economia

Inflação cai há 26 meses, mas continua acima da média regional projectada pelo FMI

TAXA HOMÓLOGA DESACELERA PARA 8,43% EM SETEMBRO

A inflação mantém a trajectória de desaceleração, travada por dois factores sob forte influência administrativa: os preços dos combustíveis, ainda subsidiados pelo Estado, e a gestão cambial, que tem contido a desvalorização do kwanza e, consequentemente, parte da pressão sobre os preços.

A inflação homóloga em Angola fixou-se em 8,43% em Setembro, uma redução de 0,36 pontos percentuais face a Agosto, prolongando a trajectória de desaceleração que se mantém há 26 meses consecutivos. Apesar de a taxa estar abaixo de um dígito e de se encontrar nos níveis mais baixos dos últimos anos, o País continua a enfrentar uma inflação média superior a 10%, permanecendo acima da média projectada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para a África Subsariana.

É necessário recuar 136 meses, concretamente até Abril de 2015, quando a taxa de inflação homóloga se fixou em 8,23%, para encontrar uma taxa inferior à registada em Agosto deste ano, tratando-se da taxa de inflação homóloga mais baixa dos últimos 11 anos. No entanto, isto não significa que os preços estejam a baixar. Pelo contrário, os preços continuam a subir, mas a um ritmo inferior ao verificado no ano passado, o que se traduz numa redução da taxa de inflação.

Na prática, os consumidores continuam a pagar mais pelos mesmos bens e serviços, embora a velocidade de crescimento dos preços esteja a diminuir. E é precisamente nos sectores com maior impacto no orçamento das famílias que a pressão continua mais evidente. A classe Educação registou a maior variação homóloga, de 18,53%, seguida de Alimentação e bebidas não alcoólicas, com 9,54%. As classes «Bebidas alcoólicas e tabaco e Saúde apresentaram aumentos de 9,10% cada, enquanto «Habitação, água, electricidade e combustíveis» registou uma variação de 9,07%.

A desaceleração da inflação em Angola contrasta com um cenário internacional ainda marcado por pressões energéticas, tensões geopolíticas e juros elevados. Internamente, a contenção tem sido apoiada por mecanismos administrativos, como o controlo da taxa de câmbio e dos preços dos combustíveis, que limita a transmissão dos choques externos, mas representa custos elevados para o Estado, num país que importa cerca de 70% dos combustíveis consumidos.

Apesar da evolução favorável da taxa homóloga, Angola continua distante da média regional prevista pelo FMI. Nas suas Perspectivas Económicas Regionais para a África Subsariana, a instituição projecta uma inflação média de 8,6% para a região, um indicador que contrasta com a inflação média angolana, que permanece acima dos 10%.

A diferença evidencia que a descida da inflação em Angola, embora significativa, não elimina os desafios de convergência com o comportamento dos preços na região. Mais do que acompanhar a evolução mensal da taxa homóloga, importa perceber a persistência das pressões sobre os preços e a capacidade da economia de sustentar a trajectória de desaceleração...

Leia o artigo integral na edição 898 do Expansão, sexta-feira, dia 16 de Outubro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui

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