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Angola

Três quartos do lixo ficam na rua, queimadas ganham força e saúde e ambiente pagam o preço

ANGOLANOS PRODUZIRAM 22.740 TONELADAS POR DIA EM 2025

Os surtos cíclicos de cólera são exemplos da crise silenciosa que o País enfrenta, a par de outras doenças geralmente associadas à falta de higiene pública. A débil recolha também põe em causa a biodiversidade. Investir na recolha de lixo no País é pouco atractivo: o retorno vem só a médio e longo prazo.

A incapacidade de recolha de resíduos deixa mais de 6,2 milhões de toneladas/ano de lixo nas ruas, em terrenos baldios e em cursos de água, enquanto outra parte é queimada em lixeiras a céu aberto e nos bairros, configurando uma crise silenciosa com consequências ruidosas no ambiente e na saúde pública, confirma o Relatório Nacional de Resíduos Sólidos Urbanos de Angola, referente ao período de 2025, elaborado no âmbito da parceria entre a Agência Nacional de Resíduos (ANR) e a consultora Mobizno, e consultado pelo Expansão.

O documento que surge da "necessidade premente de se conhecer, com rigor e profundidade, a realidade da gestão de resíduos no País, face aos crescentes desafios ambientais, sanitários e económicos que a má gestão dos resíduos tem provocado em todo o território nacional", releva que os angolanos produziram 8,3 milhões de toneladas (ton) de resíduos sólidos por ano (22.740 ton/dia), sendo que apenas 2,06 milhões são recolhidos pelos serviços formais.

O relatório, que analisou 500 agregados familiares em Luanda e extrapolou o seu resultado para as restantes 20 províncias, concluiu que o País produz actualmente cerca de 8,3 milhões de ton de resíduos por ano. No entanto, apenas 2,06 milhões de ton (24,8%) são efectivamente recolhidas pelos serviços formais, enquanto a taxa de reciclagem nem sequer chega aos 10%. Em termos práticos, a esmagadora maioria dos resíduos permanece em lixeiras a céu aberto, é queimada ou depositada em terrenos baldios e cursos de água, com consequências devastadoras para a saúde pública, o ambiente e o desenvolvimento sustentável do País.

"O surto de cólera que assolou Angola no primeiro trimestre de 2025, com 11.500 casos e quase 440 mortes, é o exemplo mais dramático da relação directa entre a falta de saneamento básico, a má gestão de resíduos e a saúde pública. As províncias de Luanda e Icolo e Bengo concentraram 94% dos casos, evidenciando a vulnerabilidade das áreas urbanas densamente povoadas e mal servidas por infraestruturas de saneamento", refere o documento. Além das doenças de veiculação hídrica e vectorial (geralmente associadas à falta de higiene pública), que ocorrem ciclicamente no país, a...

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