País tem de repor até 150 mil barris de petróleo por dia todos os anos
Os projectos de pequena dimensão garantem apenas a estabilização da produção. São necessários fortes investimentos para elevar a produção para níveis pré-covid 19 quando o País chegou, por exemplo, a produzir em média 1,7 milhões de barris de petróleo/dia.
O País tem de repor todos os anos entre 140 a 150 mil barris de petróleo por dia para contrapor o declínio da produção petrolífera e manter os níveis acima de 1 milhão de barris de petróleo/dia, segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG). Em 2025, a produção em Angola atingiu o valor mais baixo dos últimos 10 anos, com o País a produzir hoje menos 700 mil barris de petróleo/dia.
O desafio é enorme e a ANPG, na qualidade de concessionária, diz ter alguns trunfos na manga para potenciar a estabilização da produção de petróleo nos próximos cinco anos, que constam do Novo Ciclo Estratégico 2026- -2030 apresentado recentemente à imprensa, que vai exigir investimentos acima de 70 mil milhões USD.
Trata-se de um desafio difícil, segundo o PCA da ANPG, Paulino Jerónimo, na medida em que as descobertas actuais têm sido mais pequenas, garantindo uma produção de entre 30 e 70 mil barris de óleo por dia tal como o projecto CLOV Fase 3 (Bloco 17) e o Begónia, que entraram em operação em meados do ano passado com uma produção estimada de 30 mil barris de petróleo/dia para cada um dos projectos.
Isto contrasta claramente com as grandes descobertas ocorridas entre 2001 e 2004, que permitiram o País atingir o pico da produção com quase 2 milhões de barris de petróleo/dia em 2008. A redução do investimento, a falta de licitação de blocos, entre 2011 e 2017, e o declínio natural dos poços é tido como uma das causas do declínio da produção petrolífera no País, aliada à falta de atractividade do próprio mercado, conforme reconheceu o PCA da ANPG.
O novo ciclo visa concretamente inverter este cenário nos próximos cinco anos. Por exemplo, o Projeto de Produção Incremental (PPI), que visa reverter o declínio da produção petrolífera em campos maduros através de incentivos fiscais e melhorias contratuais, a fim de captar investimentos para a indústria de petróleo e gás, é um dos programas com que a ANPG conta para manter viva a produção de petróleo acima de 1 milhão de barris de petróleo/dia. Fruto disso, por exemplo, só no Bloco 17 serão investidos cerca de 6 mil milhões USD no próximo quinquénio. Este plano estratégico, de acordo com Paulino Jerónimo, reforça o papel da agência, enquanto regulador, no sentido de assegurar a estabilização da produção.
Afirmar o gás natural como um vector estratégico para o desenvolvimento económico e energético do País, desenvolver os biocombustíveis como alternativa concreta na diversificação da matriz energética e priorizar o conteúdo local com um motor de desenvolvimento económico e de criação de valor sustentável são também objectivos.
Mapeamento de bacias
A administradora Ana Miala lembra que a ANPG há muito deu início ao mapeamento das bacias interiores com o desenvolvimento da actividade de pesquisa a nível de quase todo o território nacional.
Os estudos de prospecção incidem sobretudo sobre as bacias de Kassanje, que abrange as províncias do Cuanza Norte, Cuanza Sul, Malanje, Lunda Norte, Bié, Lunda Sul, Moxico e Uíge e Etosha- Okavango que abarca as províncias do Moxico, Cunene, Cuando e Cubango.
A responsável sustenta que o trabalho que está a ser feito pela ANPG actualmente não só vai permitir estabilizar a produção, mas também aumentar os níveis de produção acima de 1 milhão de barris de petróleo/dia.
E o objectivo também passa por evitar que se concretize a projecção que consta na Estratégia de Longo Prazo Angola 2050, que revela que o petróleo deixará de ser a base principal da economia angolana dentro de 24 anos, com uma produção a rondar os 340 mil barris de petróleo/dia e uma contribuição de apenas 3% para o PIB.











