Petróleo cai abaixo dos 80 dólares e caminha para a maior sequência de perdas em dez meses
O petróleo caminha para a mais longa sequência de perdas dos últimos dez meses, com o Brent, referência para as exportações angolanas e para a Europa, a negociar abaixo da fasquia dos 80 USD por barril. Os mercados reagem à perspetiva de uma eventual reabertura do estreito de Ormuz já esta sexta-feira, um desenvolvimento que poderá aumentar significativamente a oferta global de crude e aliviar as pressões inflacionistas no médio prazo.
Ao mesmo tempo, os investidores mantêm uma postura cautelosa. As bolsas e os mercados cambiais registam oscilações limitadas, enquanto aguardam pela estreia de Kevin Warsh na presidência da Reserva Federal norte-americana.
Por volta das 09h00, em Luanda, o Brent recuava pelo quinto dia consecutivo, desvalorizando 0,73% para 78,4 dólares por barril, o nível mais baixo dos últimos três meses. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência para os Estados Unidos, caía mais de 1%, para 75,2 dólares por barril. No mercado europeu de energia, o gás natural negociado em Amesterdão cedia 0,3%, para 41,7 euros por megawatt-hora.
A perspetiva de um aumento da oferta mundial reforçou o otimismo dos investidores quanto à normalização das exportações de petróleo do Médio Oriente. Esse sentimento contribuiu para uma descida das taxas de rendibilidade das obrigações do Tesouro norte-americano e impulsionou uma recuperação dos mercados obrigacionistas globais, apesar do impacto que o conflito regional teve sobre as reservas estratégicas de crude.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa internacional, uma versão praticamente final do acordo em negociação entre os Estados Unidos e o Irão, a que a Bloomberg teve acesso, prevê um amplo pacote de incentivos financeiros para Teerão. Entre as medidas em cima da mesa está o acesso a um fundo de desenvolvimento avaliado em 300 mil milhões de dólares, bem como a autorização para retomar imediatamente as exportações de petróleo após a assinatura do memorando.
Caso o entendimento seja formalizado, o regresso do petróleo iraniano ao mercado internacional poderá exercer pressão adicional sobre os preços do crude, aumentando a oferta numa altura em que os receios de interrupções no abastecimento começam a dissipar-se.
Nas últimas quatro sessões, o petróleo acumulou uma queda próxima dos 15%, refletindo a rápida alteração das expectativas dos investidores. Ainda assim, analistas alertam que a trajetória descendente dependerá da durabilidade do acordo e da capacidade das partes em evitar uma nova escalada das tensões na região.
Embora os principais termos do entendimento já estejam definidos, subsistem questões técnicas por resolver. As negociações entre Washington e Teerão deverão prosseguir, sobretudo em torno do programa nuclear iraniano, um dos temas mais sensíveis do processo diplomático.











